quinta-feira, 19 de maio de 2011

Exu é de Lei!

Arte do Livro "Frente de Tempestade"
Incomoda muito um mistério, uma linha de trabalho tão forte ser tão mal compreendida e tão desrespeitada por muitos entre nós. Sem querer ditar uma verdade absoluta, reflitamos sobre tão polêmico e instigante assunto.

Com a permissão e saudação aos Senhores Exus, chamados, indiscriminadamente de “Povo de Rua” e “Povo de Esquerda”, a primeira observação ao seu atributo maior como trabalhador do Cristo é que Exu só existe de Lei...pois ele é o Agente da Lei, aplicador da Lei, Representante da Lei Divina.

Variando de um Templo ou região pra outra, é comum ouvir-se ou denominar os Exus que trabalham para a Lei e para os Orixás, e de “exus” que praticam o mal, contrário a Lei Divina nomeados de exus fora da Lei.

Em verdade, Exu só de Lei. Fora da lei é kiumba, obsessor, ser das trevas, etc. Sendo assim e pensando honestamente dessa forma, fica muito mais claro compreendermos o que é o Exu, evitando assim essa “carga” sobre os nossos queridos amigos, trabalhadores da luz nas trevas, pela Lei de Deus e dos Orixás, evitando e evadindo todo um mal entendimento entre nós e ai a fora.

Mas são os próprios kiumbas que dão nome de Exu (de Lei) para nos confundir! E vamos dar ouvidos aos kiumbas?! Ou vamos lembrar-nos do que Jesus nos dizia: “Os filhos das trevas são mais sagazes que os filhos da luz”! Ainda parafraseando o Mestre dos Mestres, podemos dizer que o Exu é aquele que entendeu perfeitamente o “sede simples como as pombas, mas prudente como as serpentes” e tenta, de todas as formas nos ensinar essa máxima, de maneira entendível ao nosso “português”. Como diz nosso querido Exu Malandrinho: “Malandro que é malandro, passa na lama e não se mela”.

Portanto, didaticamente falando, É entendido que:

Exu – Sempre de lei, trabalha pela Lei de Deus;

Kiumba – Ser fora da lei que trabalha para si ou para as hordas das trevas;

Exu – Presta contas a Deus;

Kiumba – Responde aos seus próprios interesses ou dentro de hierarquias trevosas e contrarias a Deus;

Exu – Não aceita trabalhos contrários as Leis Divinas;

Kiumba – Aceita qualquer tipo de trabalho e quanto maior a ofensa às Leis Divinas para eles melhor;

Ambos podem atuar na vida de uma pessoa:

Exus – sempre por ordem da Lei, vitalizando ou desvitalizando os sentidos e conduzindo os espíritos (encarnados ou não) para o caminho evolutivo da Lei Divina.

Kiumbas – sempre por atuação destrutiva, negativa, na intenção da causar sofrimento e queda de espíritos (encarnados ou não), e em processos da lei.

Exus – são hierarquizados em acordo com cada Atributo Divino, divididos em irradiações ou Orixás e graus evolutivos.

Kiumbas – são hierarquizados em acordo com mentais chefes e escravos em acordo com o interesse pessoal ou poder de destruição.

Com algumas mudanças ou formas interpretativas, basicamente Exu é hierarquizado da seguinte forma:

Exu Aprendiz – Espírito com capacidade evolutiva, arregimentado pela Lei a iniciar seu serviço através de uma falange de trabalho na linha de Exu. Ainda não tem sua consciência completamente estruturada, tendo alguns deslizes de conduta que são rigidamente cobrados. Recebe ordens de um Exu de Trabalho para a realização dos trabalhos pela Lei. Estão em franco processo de lapidação de seus conceitos, condutas e mental. São os chamados “capangas” que o Sr. Malandrinho fala.

Exu de Trabalho ou de Lei – É um servidor da Lei Divina, vibrado pelo Orixá do seu Orixá Regente como um servo de Deus, trabalha diretamente junto aos médiuns, em todo tipo de trabalho pela Lei, recebe e acata as ordens dos Guias Espirituais.

Exu Coroado ou Guardião – É o Guardião do Orixá regente do médium. Recebe ordens diretas dos Orixás e determina a forma de cumpri-la. Normalmente não se apresenta aos médiuns nem revela seu nome, raramente incorpora e não dá aconselhamentos. É o Mentor “à esquerda” do caminho evolutivo do médium. Já tem assentado em si toda a sustentação Divina dos Orixás para o trabalho.

Todo médium possui:

Exu Guardião – correspondente ao seu Orixá Olori, raramente incorpora.

Exu de trabalho ou de Lei – correspondente ao Orixá do médium. É um espírito trabalhador que é “exunizado” pelo Guardião da vibratória do médium, a fim de exercer as atividades de Agentes da Lei, Mensageiros e Defensores Vibratórios. Incorpora, dá aconselhamento, atua na vida do médium e a mando da Lei na vida de outras pessoas em auxilio.

Aos Exus de trabalho podemos pedir ajuda na solução de problemas e ajuda a outras pessoas, sempre conscientes do nosso e do merecimento alheio, sempre sob as Leis de Deus. Aos Exus Guardiões devemos pedir somente auxílio no sentido de amparo, sustentação, proteção e condução a linha reta evolutiva. A todos devemos sempre ter respeito, tratando-os com reverência, pela alcunha de senhores.

Por mais humano que Exu se manifeste e se expresse, devemos sempre ter respeito e educação para nos dirigirmos mentalmente ou pessoalmente a qualquer um deles, pois são Senhores Guias Espirituais que trabalham em nome de Deus, com caridade, responsabilidade e muitas vezes a nossa frente para nos defender e proteger de demandas e embates astrais negativos.

Exu tem mais luz que podemos supor, mas por amor ao Divino Criador e aos Amados Orixás, serve a Luz nos campos trevosos, em combate a todos que blasfemam ou que atuam contra as Leis Divinas; Exu oculta sua luz pra poder entrar nos campos negativos em socorro ou combate; Exu verbaliza de forma humana para bem ser entendido por nós; Exu conhece e respeita as Leis Divinas, as Linhas de Trabalho e todos os médiuns que assim merecem ser tratados.

RUA GRAJAÚ, 33  GRAJAÚ  RIO DE JANEIRO/RJ

sábado, 14 de maio de 2011

AS SETE LÁGRIMAS DE UM PRETO VELHO


“Num cantinho de um terreiro, sentado num banquinho, pitando o seu cachimbo, um triste Preto Velho chorava. De seus olhos molhados, lágimas lhe desciam pela face e não sei porque as contei.. Foram sete. Na incontida vontade de saber, aproximei-me e o interroguei.

- Fala meu Preto Velho, diz a este teu filho, por que esternas assim, esta tão visível dor ?

- Estás vendo, filho, estas pessoas que entram e saem do terreiro? As lágimas que você contou, estão distribuídas a cada uma delas.

- A primeira lágrima foi dada aos indiferentes, que aqui vem em busca de distração. Que saem ironizando e criticando, por aquilo que suas mentes ofuscadas não puderam compreender.

- A segunda, a esses eternos duvidosos que acreditam, desacreditando. Sempre na expectativa de um milagre, que os façam alcançar aquilo que seus próprios merecimentos lhes negam.

- A terceira, aos maus. A aqueles que procuram a Umbanda em busca de vinganças, desejando prejudicar a um seu semelhante.

- A quarta, aos frios, aos calculistas. Aos que, ao saberem da existência de uma força espiritual, procuram beneficiar-se dela, a qualquer preço, mas não conhecem a palavra gratidão e nem a Caridade.

- A quinta lágima, vê como chega suave? Ela tem o riso, do elogio e da flor dos lábios. Mas se olhares bem, no seu semblante, verás escrito: ‘Creio na Umbanda. Creio nos teus Caboclos, nos teus Velhos, e no teu Zâmbi, mas somente se vencerem no meu caso ou me curarem disso ou daquilo’.

- A sexta, eu dei aos fúteis que vão de Terreiro em Terreiro, sem acreditar em nada, buscando aconchegos e conchavos. Mas em seus olhos revelam um interesse diferente.

- A sétima, filho, notas como foi grande ? Notou como deslizou pesada? Foi a última lágrima. Aquela que vive nos ‘Olhos’ de todos os Orixás e de todas as entidades. Fiz doação desta, aos Médiuns. Aos que só aparecem no Terreiro em dia de festa. Aos que esquecem de suas obrigações. Aos que esquecem que existem tantos irmãos precisando de caridade, tantas ‘crianças’ precisando de amparo. Da mesma caridade e do mesmo apoio que eles próprios, um dia aqui vieram buscar.

Assim, filho meu, foi para esses todos que vistes cair, uma a uma, AS SETE LÁGRIMAS DE UM PRETO VELHO...

Extraído do Flecha de Luz - www.cruzeirodaluz.netboletim_esp@terra.com.br

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Preto Velho - 13 de Maio


A linha é um todo, com suas características gerais, ditas acima, mas diferenças ocorrem porque os Pretos-Velhos são trabalhadores de orixás e trazem para sua forma de trabalho a essência da irradiação do Orixá para quem eles trabalham. Essas diferenças são evidenciadas na incorporação e também na maneira de trabalhar e especialidade deles. Para exemplificar, separaremos abaixo por Orixás:

Pretos-Velhos De Ogum: São mais rápidos na sua forma incorporativa e sem muita paciência com o médium e as vezes com outras pessoas que estão cambonando e até consulentes. São diretos na sua maneira de falar, não enfeitam muito suas mensagens, as vezes parece que estão brigando, para dar mesmo o efeito de “choque”, mais são no fundo extremamente bondosos tanto para com seu médium e para as outras pessoas. São especialistas em consultas encorajadoras, ou seja, encorajando e dando segurança para aqueles indecisos e “medrosos”. É fácil pensar nessa característica pois Ogum é um Orixá considerado corajoso.

Pretos-Velhos De Oxum: São mais lentos na forma de incorporar e até falar. Passam para o médium uma serenidade inconfundível. Não são tão diretos para falar, enfeitam o máximo a conversa para que uma verdade dolorosa possa ser escutada de forma mais amena, pois a finalidade não é “chocar” e sim, fazer com que a pessoa reflita sobre o assunto que está sendo falado. São especialistas em reflexão, nunca se sai de uma consulta de um Preto-Velho de Oxum sem um minuto que seja de pensamento interior. As vezes é comum sair até mais confuso do que quando entrou, mas é necessário para a evolução daquela pessoa.

Pretos-Velhos De Xangô: Sua incorporação é rápida como as de Ogum. Assim como os caboclos de Xangô, trabalham para causas de prosperidade sólida, bens como casa própria, processo na justiça e realizações profissionais. Passam seriedade em cada palavra dita. Cobram bastante de seus médiuns e consulentes.

Pretos-Velhos De Iansã: São rápidos na sua forma de incorporar e falar. Assim como os de Ogum, não possuem também muita paciência para com as pessoas. Essa rapidez é facilmente entendida, pela força da natureza que os rege, e é essa mesma força lhes permite uma grande variedade de assuntos com os quais ele trata, devido a diversidade que existe dentro desse único Orixá. Geralmente suas consultas são de impacto, trazendo mudança rápida de pensamento para a pessoa. São especialistas também em ensinar diretrizes para alcançar objetivos, seja pessoal, profissional ou até espiritual. Entretanto, é bom lembrar que sua maior função é o descarrego. É limpar o ambiente, o consulente e demais médiuns do terreiro, de eguns ou espíritos de parentes e amigos que já se foram, e que ainda não se conformaram com a partida permanecendo muito próximos dessas pessoas.

Pretos-Velhos De Oxossi: São os mais brincalhões, suas incorporações são alegres e um pouco rápidas. Esses Pretos-Velhos geralmente falam com várias pessoas ao mesmo tempo. Possuem uma especialidade: A de receitar remédios naturais, para o corpo e a alma, assim como emplastros, banhos e compressas, defumadores, chás, etc… São verdadeiros químicos em seus tocos. – Afinal não podiam ser diferentes, pois são alunos do maior “químico” – Oxossi.

Pretos-Velhos De Nanã: São raros, sua maneira de incorporação é de forma mais envelhecida ainda. Lenta e muito pesada. Enfatizando ainda mais a idade avançada. Falam rígido, com seriedade profunda. Não brincam nas suas consultas e prezam sempre o respeito, tanto do médium quanto do consulente, e pessoas a volta como: cambonos e pessoas do terreiro em geral e principalmente do pai ou da mãe de santo. Cobram muito do seu médium, não admitem roupas curtas ou transparentes. Seu julgamento é severo. Não admite injustiça. Costumam se afastar dos médiuns que consideram de “moral fraca”. Mais prezam demais a gratidão, de uma forma geral. Podem optar por ficar numa casa, se seu médium quiser sair, se julgar que a casa é boa, digna e honrada. É difícil a relação com esses guias, principalmente quanto há discordância, ou seja, não são muito abertos a negociação no momento da consulta. São especialistas em conselhos que formem moral, e entendimento do nosso karma, pois isso sem dúvida é a sua função. Atuam também como os de Inhasã e Obaluaiê, conduzindo Eguns.

Extraído do Canto do Aprendiz

quinta-feira, 12 de maio de 2011

RITUAL E MAGIA


O Ritual é o conjunto de símbolos realizados por meio dos elementos, das palavras e dos gestos, que têm caráter energético e devem promover uma ação interna de religiosidade e crescimento espiritual nos seus participantes.

A Magia se constitui na manipulação das energias salutares, dos fluidos que estão contidos nas forças sutis, e que se manifestam no plano físico concreto por meio dos elementos, que Deus nos proporciona através da natureza que, não podemos esquecer, são regidas pelos Sagrados Orixás, em função de um bem religioso que purifica, energiza, destrói elementos negativos e cura.

Essa Magia só deve ser manipulada em prol do bem e do crescimento espiritual das criaturas. O uso dessas energias, na magia, para proporcionar desassossego ou qualquer tipo de mal é um uso abusivo, afinizado com as sombras, que desvia sua verdadeira função. Voltamos a lembrar que essas energias naturais são regidas e conduzidas pelos Sagrados Orixás e, portanto, o uso indevido das mesmas, apesar de permitido face a lei do livre arbítrio dos seres, terão mais cedo ou mais tarde suas conseqüências funestas sobre aqueles que assim ousam deturpar suas verdadeiras funções divinas, tendo em vista a realização da Lei Causa e Efeito, da Lei do Retorno, pois serão grandes dívidas contraídas em face da Lei Sagrada de Deus.

Na Umbanda essa Magia, chamada por alguns de Magia Branca, ocorre por meio dos Rituais e ação dos Guias e Mentores Espirituais. Lembremos que a própria natureza, por si só, é uma realização magística constante, desde o abrir de uma flor, a um coração que bate no peito de um ser vivente. É sempre a conjunção de energias manipuladas pela própria natureza com uma finalidade determinada, o que proporciona a todos nós o grande espetáculo da Criação, Manutenção e Transformação de todas as coisas.

Nós próprios, com nossa mente, manipulamos constantemente as energias, tanto para o bem como para o mal de nós próprios. O estado de paz, de alegria, de saúde e bem-estar, está diretamente associado a essa manipulação mental, atraindo sobre nós energias sutis, puras e claras ou energias densas, pesadas e enfermiças, sempre de acordo com meu estado mental, seja de fé, esperança, auto-estima e caridade ou de desesperança, tristeza, depressão, maldade, etc...

A Magia, manipulação de energias por meio dos rituais, é uma forma oferecida pela Misericórdia Divina para suprir a nossa ainda incapacidade de manipulação energética mental para o nosso bem e do nosso próximo. Isso, tendo em vista o nosso estágio ainda imperfeito e ignorante da etapa evolutiva em que nos encontramos. Quando crescermos, nos espiritualizarmos o suficiente, poderemos realizar em nosso benefício e de nossos irmãos aquilo que hoje os Orixás, Mentores Maiores, Guias e a própria sabedoria ritualística, seja na Umbanda, ou em outros segmentos religiosos, o fazem em nosso socorro. O que se chama de milagre nada mais é do que essa manipulação magística realizada e concretizada num fato benéfico de ajuda e cura às criaturas. Jesus assim o fez na Sua Alta Sabedoria e Poder sobre os elementos energéticos naturais.

Na Umbanda tudo é magia, é manipulação energética religiosa em função do Bem e do crescimento espiritual de todos aqueles que dela participam. Desde o momento em que se entra num Templo Umbandista com suas saudações ritualísticas, bênçãos, etc, até as Giras como tal, são realizações dessa Magia Sagrada, sem falar na manipulação energética dos chamados “trabalhos”, como Oferendas, Iniciações, Tratamentos, Mandalas Energéticas, etc...

No Cruzeiro da Luz vemos essa manipulação energética se concretizar por meio de três movimentos essenciais que chamamos de Movimento TÂNTRICO, MÂNTRICO e YÂNTRICO.

Consideramos o Movimento TÂNTRICO aquele que é operado pela mente religiosa. É o que denominamos mentalização ou concentração. Ocorre quando a mente age pela vontade, direcionando o pensamento para a ação a ser realizada. No nosso caso, a ação religiosa. É o movimento interno. A prece, o sentimento de religiosidade, de respeito, de sacralidade, de amor e de fé, são movimentos Tântricos. O Congá, em um Templo Umbandista, deve ser o estimulador desse movimento Tântrico. Olhar o Congá deve nos estimular à prece, religiosidade, fé, interiorização.

Sem esse movimento Tântrico, impossível a realização da Magia, pois a mente, religiosamente ou não, é quem vai dar o comando para a manipulação energética. Na Umbanda, sem ela todo o ritual não passará de teatralidade, fantasia e gestos e atitudes sem repercussão no etérico/astral. A prece interiorizada, mentalizada é a melhor forma magística Tântrica. Por isso, cantar pontos numa Gira sem mentalizá-los, sem beber mentalmente suas mensagens, é pura “modinha” de salão. Dançar numa Gira ou bater palmas, sem interiorização desses atos, sem beber os seus significados simbólicos, seria pura atração popular, mas carecendo de realização magística religiosa. É claro que os Obreiros Espirituais buscam suprir a nossa ignorância e incapacidade de esgotar a atuação desse movimento nos nossos Rituais, o que não deve ser visto como se estivéssemos liberados do esforço para essa realização mental/espiritual/religiosa. Neste caso, eles se cansam e nos deixam ao nosso livre arbítrio, e vamos encontrar Giras que são verdadeiros pandemônios teatrais, senão cômicos e vazios de espiritualidade e religiosidade, que não conduzem ao Bem, à Harmonia, à Paz e à verdadeira Alegria.

O Movimento MÂNTRICO se realiza a partir do som. O som reverbera no ambiente físico, penetra no campo energético etérico/astral e retorna como um manancial magístico de Equilíbrio, de realizações e de amor.

Cantar pontos numa Gira não significa uma apresentação de belas vozes ou gritaria que acaba por mexer com o campo anímico dos participantes. Os pontos cantados na Umbanda têm a função de oferecer condições propícias para a realização da magia religiosa, pois canalizam as energias vibratórias invocadas e, em conjunto com o Movimento Tântrico, realizam a finalidade da ação religiosa do culto ali prestado.

O Movimento Mântrico ocorre por meio do Canto, da Prece falada, etc... Os Guias de Umbanda têm sua ação mântrica realizada por meio dos seus brados, sons por eles emitidos, que têm esse condão de penetrar no campo étero/astral e trazer para a manipulação por eles realizada, com o magnetismo do médium que os incorpora, energias de trabalho e cura.

O Atabaque, na Umbanda, é um símbolo desse movimento Mântrico, pois tem a função específica e só, de energizar o ambiente e oferecer melhores condições de o médium assumir suas posturas religiosas mântricas no terreiro. Quando o Atabaque se torna um instrumento de percussão barulhento, desassossegador, ele perde a sua função religiosa para ser apenas um tambor de festa.

O Movimento YÂNTRICO é o movimento do movimento propriamente dito. É a ação externa que deve ser produto da interioridade. Tudo aquilo que é usado na magia como fator de exterioridade, de onde serão retirados os elementos energéticos internos, ou seja, seu conteúdo étero/astral, é Yântrico. Desde a dança, ou pelo menos o movimento do corpo dos médiuns numa Gira, até as oferendas com suas frutas, flores, etc, obedecem a esse movimento Yântrico.

Os médiuns, em uma Gira, devem se movimentar sim, ou até dançarem, exprimindo o simbolismo da vibratória que se louva ou se invoca, desde que isto seja uma ação comandada pelo Movimento Tântrico e Yântrico bem sucedido. Nas posturas e danças ritualísticas religiosas dos médiuns estará acontecendo um desprendimento de suas energias magnéticas, que serão manipuladas, junto com as energias espirituais, para a limpeza do ambiente e para o uso dos Guias e Mentores em seus trabalhos de aconselhamento, limpeza e cura.

Podemos ainda acrescentar que a dança, assim como o canto, deve ser para o médium umbandista meios de expressão de sua fé, de seu amor e de seu devotamento ao culto sagrado em seus Templos religiosos. Pela dança, como pelo canto, eles louvam, eles agradecem, eles invocam a espiritualidade, em nome de Jesus, para o crescimento espiritual e ajuda na caminhada evolutiva sua e de seus irmãos.

A Umbanda, como vemos, é uma religião rica em seus rituais magísticos, quando compreendidos e realizados dentro do espírito do sagrado e da busca constante da melhoria mental, emocional e física, para um caminhar com Jesus, com os Sagrados Orixás e com seus Guias, em demanda do mais Alto, do aperfeiçoamento de seus espíritos, nesse encontro com Deus, que é o fim último de todos nós e a razão de ser da existência das Religiões.

“Senhor, nós viemos de Ti e nossos corações só encontrarão descanso quando retornarmos a Ti” - Sto Agostinho.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Mensagem de Pai Antonio de Aruanda

 
Quando a individualidade desaparece
A Luz de Oxalá inunda seu ser.
Você é a Luz, A Luz é você!

Quando o amor surge como uma flor,
Os lírios de Mamãe Oxum brotam em seu coração.
Você é a Flor, A Flor é Você!

Quando a ignorância é eliminada,
As Flechas do Caçador (Oxossi) te guiam.
O Caçador é você. A Caça também!

Quando a alma vence sua própria treva
O Raio de Xangô é vivo no espírito.
Você é o Rei, o Rei é Você!

Quando o tufão do discernimento surgir
Não mais a sombra da alma há de te possuir.
Você é a Guerreira (Iansã),
a Guerreira é você.

Quando as cabeças do vício forem cortadas
A Espada do guerreiro (Ogum) iluminará o caminho!
Você é a Senda, A Senda é Você

Quando a cruz viva do “Velho”(Obaluayê) te marcar
O peso do mundo em suas costas cairá.
Você é Caridade, A Caridade é você!

Quando a Anciã (Nanã) do destino, em ti existir
Não mais mistérios hão de te possuir.
Você é o Fim e também o Começo!

Quando a estrela brilhar, e o canto encantar
Nas praias de Aruanda a Mãe Divina (Iemanjá) você verá.
Você é a Umbanda, Umbanda é Você!

E então, no fim da jornada,
Onde os caminhos se entrecruzam,
E as Sete Encruzilhadas são contempladas,
O Amor que a Tudo gera lá estará!

Você é Olorum, Olorum é Você!

Assim cantava-se na velha Luanda...
Assim ainda se canta,
Na querida Aruanda...

Pai Antonio de Aruanda - Mensagem recebida por Fernando Sepe

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Guardião do Mundo: EXU!

Ilustração de Chris McGrath.
Ilustração para a série literária Os Arquivos de Dresden, de Jin Butcher (e não tem nada a ver com Exu, mas achei que as imagens de Harry Dresden, feitas por Chris McGrath, são perfeitas para ilustrar o artigo :)

A ideia geral que se tem dos Guardiões do Astral, denominados na Umbanda por Exus, é controversa, polêmica e injusta. Por culpa de irmãos ignorantes - e também, alguns maus - esses Ordenadores, Cumpridores e Feitores da Lei Maior são confundidos com espíritos involuídos, os vulgos demônios e afins.

Quantos anúncios vemos pelas ruas da cidade e nos classificados de jornal que Sr. Zé Pelintra, Sr. Tranca Ruas ou mesmo Sra. Maria Padilha e Sra. Maria Mulambo são meros capatazes de "pais-de-santo" que atuam com baixa magia para vencer e destruir inimigos, separar casais, amarrar homem e outros quesitos indignos e mesquinhos que prometem cumprir em 3, 6, 12 horas, mediante a compra de material para o trabalho? A sordidez de tais "pais-de-santo" é tão desavergonhada que os mesmos, além de estarem usando - e difamando! - os nomes de nobres seareiros do Astral, dizem que faz caridade e não cobram pelo trabalho, apenas pelo material que será empregado!

Pois que, por causa desses inescrupulosos e sórdidos médiuns, que um dia macularam e corromperam tão divina missão, a da Mediunidade, nossos abençoados Guardiões, os Exus, são discriminados e difamados, confundidos com demônios, kiumbas, eguns (as várias denominações para os Espíritos humanos maus e sem Luz), quando, na verdade, Exu é a "polícia do Astral". Exus são espíritos que estão, pelo menos, um nível acima de nós, tão em caminhada à Luz quanto nós, mas que tomaram para si a incumbencia de levar  e fazer prevalecer a Ordem e a Justiça no nosso mundo, em todos os Planos que aqui se compõe, tanto este visível quanto o invisível - e além.

Exu, como eles mesmo dizem, é a Luz nas Trevas!

São Espíritos que se sacrificam em nome do Pai e a favor de nós - sim, NÓS, seus irmãos, muitas vezes ingratos! São Espíritos que adensam a sua matéria sutil e descem a níveis tão grosseiros que até mesmo nós encarnados, seres então adensados, não suportaríamos pela carga tóxica que emana de tais regiões. Umbral é fichinha perto dos lugares que os Exus se metem para desmontar antros de magia negra e resgatar outros irmãos que despertam a Luz em suas consciências, cansados de percorrer a estrada torta. Como o próprio nome diz, Umbral é somente a porta de entrada. Os Guardiões vão a níveis ainda mais profundos, chamados de Sub Crosta, que é o verdadeiro Inferno que a Igreja tem ensinado há séculos. Se já trememos e nos arrepiamos quando sentimos uma pequena descarga de energia perniciosa desferida por um encarnado ou desencarnado que está de pinimba conosco, imagina se nós conseguiríamos suportar a toxicidade e o peso áspero de tais regiões, tão agregadas de maldade e corrupção?!

Pois bem, os Exus conseguem. São eles que vão bater de frente com essa energia densa, negra e ácida. São eles que vem nos socorrer e nos protege, quando invocamos a ajuda de Deus Pai ou Filho. "Exu pode não ser anjo, mas capeta ele não é", como bem diz um de seus inúmeros pontos cantados.

Snake Eye's =]~

domingo, 1 de maio de 2011

Salve os Caboclos Marujos!

Aos poucos eles desembarcam de seus navios da calunga grande e chegam em Terra. Com suas gargalhadas, abraços e apertos de mão. Enfrentaram o ambiente de calmaria ou de marés tortuosas, em tempos de grande paz ou de penosas guerras.

As giras de Marinheiros são bem alegres e descontraídas. Eles são sorridentes e animados, não tem tempo ruim para esta falange. Chegam zonzos com a impressão de que o chão está se mexendo e que vão cair, o que isso seguramente não acontece. Isso se dá devido ao seu magnetismo aquático, e é exatamente nesse momento que eles realizam seus maiores trabalhos, pois é nesse momento de descontração, de liberdade e de alegria que eles podem buscar formas de pensamentos, seres espirituais negativos, etc, alimentados por nós, devido ao nosso pessimismo e intolerância.

Com palavras macias e diretas eles vão bem fundo na alma dos consulentes e em seus problemas, são sinceros e ligeiramente românticos, sentimentais e amigos. Gostam de ajudar àqueles e àquelas que estão com problemas amorosos ou a procura de alguém, de um “porto seguro”.

Alguns Marinheiros eram exus que hoje trabalham na Linha dos Caboclos, na força do mar, buscando e quebrando demandas jogadas ao mar, o grande cemitério. Fazem grandiosos trabalhos de descarrego tanto nos consulentes como no terreiro, sendo uma linha muito forte de limpeza. Alguns são espíritos que, em alguma encarnação foram marujos, guardas-marinhos, pescadores e capitães do mar. São verdadeiros curadores de alma e até das doenças físicas, afinal devido às suas experiências em alto mar possuem muito conhecimento sobre a medicina popular.

Os Marinheiros trabalham na linha de Oxalá, Iemanjá e Oxum (povo d’água) e trazem uma mensagem de esperança e muita força, nos dizendo que se pode lutar e desbravar o desconhecido, do nosso interior ou do mundo que nos rodeia se tivermos fé, confiança.

A ÂNCORA, símbolo dos Marinheiros, representa a Esperança e a Segurança.

Salve o Povo D’água! Salve a Marujada! Salve os Marinheiros!
 
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...