sábado, 9 de fevereiro de 2013

Conselhos do Céu

Em reduzido grupo íntimo, numa sessão de estudos doutrinários e prática mediúnica, alguém sugere que se fale do carnaval.

- É uma festa perniciosa – comenta o senhor Cerqueira (...) (...) autêntica loucura coletiva.

- Ora, ora, não exageremos – responde um dos companheiros – afinal, é uma festa do povo.

(...) Pela psicofonia mediúnica manifesta-se Celino, dedicado orientador do grupo:

- (...) Devemos considerar (...) que em base de simples argumentação, sempre conseguiremos justificar, perante nós mesmos, qualquer comportamento, seja o adultério, a violência, a injúria, a mentira, a guerra e também o carnaval. (...) Por isso, muito mais importante de que deve ou não fazer, é o nosso empenho em nos ajustarmos aos padrões éticos do Evangelho, que exprime, em síntese, o comportamento mais adequado.

(...) Então (...) (o) interesse será aproveitar melhor as horas de folga desses dias, seja emprestando seu concurso numa entidade socorrista, seja compondo uma equipe de trabalho a famílias necessitadas, seja participando de grupos de estudo em torno de problemas comunitários, sociais ou doutrinários...

Essas iniciativas lhe permitirão, de uma forma muito mais eficiente, superar tensões, sem os riscos da inconseqüência, e de desfrutar de alegria autêntica, sem dramas de consciência e sem ressacas na quarta-feira.

(...) Toda discussão envolvendo problemas de comportamento não modificará um centímetro nossas tendências, enquanto não partirmos para o campo decidido da ação.

Se o Evangelho é o guia de nossas vidas, não percamos tempo discutindo se devemos ou não participar dos festejos de Momo.
(Partes do texto de Richard Simonetti, do livro “Temas de Hoje, Problemas de Sempre” - o título foi adicionado aqui)

Duelo após o Baile de Máscaras (1857), 
Pintura de Jean-Léon Gêrome. 
Hermitage, São Petersburgo (Rússia).
 

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Carnaval


Irmã, você nos consulta
Se, acaso, existe algum mal
Em ver por fora e por dentro
A festa do carnaval.
Nunca esperei tal pergunta
Nem sei dizer sim ou não,
Porquanto, estando entre os homens,
Quis sempre ser folião.
Ir ver a festa somente,
Acompanhar a arrelia,
Pode ser refazimento
Na carência de alegria.
Carnaval? De modo algum
Importa que você vá;
Apenas é bom saber
O que você quer por lá.

(Poema do Espírito Jair Presente, psicografia de
Francisco Cândido Xavier, no livro “Ponto de Encontro”)

Quem gasta o tempo consagrando todas as forças da
alma às fantasias do corpo, esquecendo-se de que o corpo deve permanecer a serviço da alma, cedo esbarrará na perturbação, na inutilidade ou na sombra.

(Trecho da obra “Vinha de Luz”, do Espírito Emmanuel  
pela mediunidade de Francisco Cândido Xavier)

Os ingredientes que excitam a mente, o corpo, a emoção, devem ser evitados por ti. As melodias suaves, na boa música, harmonizam, enquanto outras, programadas para a luxúria e a violência, desassossegam, alterando o ritmo nervoso. As leituras edificantes instruem e educam da mesma forma que as extravagantes e sensuais corrompem e alteram a escala de valores morais para pior. As conversações sadias levantam o ânimo, quanto as vulgaridades relaxam o caráter. Poupa-te à onda de indignidade que toma conta do mundo e das pessoas.

(Trecho do livro “Vida Feliz”, do Espírito Joanna de Ângelis pela mediunidade de Divaldo Pereira Franco)
Está se aproximando o período carnavalesco, onde uns se divertem e outros aproveitam a oportunidade para praticarem atos pouco recomendáveis.

Divertir-se é válido, é necessário; o homem não é tal qual uma máquina que trabalha continuamente. O homem é humano e, como tal, necessita de descanso, necessita divagar...

Independente do período carnavalesco, vamos aprender a nos divertir, de forma válida e proveitosa, porque a vida é para ser vivida da melhor forma possível e nada impede que o homem cresça e apareça para a vida com alegria em seu coração. Nada o impede de ser alegre, comunicativo, brincalhão e, ao mesmo tempo, sério e respeitador.

Viva a vida em sua plenitude, ame e seja amado, respeite e seja respeitado!

(Mensagem do Espírito Alexandre, psicografia de Carlos Mainczyk, em “A Caridade”, Órgão da Congregação Espírita Francisco de Paula - Rio, fev. 2002).
 

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

A Carne e O Carnaval

Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; na verdade, o espírito está pronto, mas a carne é fraca (Mateus, 26:41).

As palavras de Jesus Cristo a Pedro, no Monte das Oliveiras, foram proferidas quando o Mestre flagrou os apóstolos dormindo. Cristo claramente disse o contrário sobre o que muitas pessoas pensam.

Essas acham que as faltas morais (pecados carnais, segundo a Igreja) são “desculpáveis”, pois, afinal, somos humanos imperfeitos (de carne e osso). Contudo, Jesus afirma que quando o espírito está pronto (é moralmente forte) este supera as limitações e imperfeições do corpo físico e as perturbações de outros espíritos mal-intencionados. Daí surgiu a orientação: orai e vigiai! Pois é um dos recursos para se erigir a “fortaleza espiritual”.

O corpo segue a evolução do espírito e não o contrário, e, também deve ser respeitado por ser instrumento (meio) divino para a evolução espiritual.

Portanto, aqueles que procuram desculpar seus excessos carnavalescos com o velho jargão “o espírito é forte, mas a carne é fraca” não possuem nenhum fundamento para justificar tais comportamentos lamentáveis.
Se o espírito é forte, mais razões possui o indivíduo para manter sua carne (e mente) longe de atos dos quais mais tarde ele poderá se lamentar por tê-los cometido.

Vejamos o que dizem irmãos mais esclarecidos, sobre o assunto:

A paixão é um estímulo evolutivo. Significa nosso envolvimento intenso com o que fazemos ou com quem nos relacionamos. Isso favorece o desenvolvimento de nossas potencialidades intelectuais, morais, emocionais...

Torna-se um mal quando abdicamos do discernimento, da razão, sustentando-a sem proveito real, sem utilidade legítima, comprometendo-nos num comportamento irregular.

(...) Neste contexto, um tema bem atual: o carnaval (...) No Brasil, é uma paixão popular.

Envolve multidões. Boa ou má? Impossível ficar com a primeira opção, quando se observa que, sob inspiração do álcool e das drogas, ali se destacam o nudismo exibicionista, a malícia, a imoralidade, o adultério.

Um comercial de prevenção da AIDS sugere que o folião use preservativo sexual como fantasia. Imagem de mau gosto, mas que revela o clima de promiscuidade que grassa no carnaval. Os registros policiais relacionados com o aumento da criminalidade, de estupros, de acidentes fatais, nesses dias, são alarmantes.

Há quem considere o carnaval (...) a oportunidade de espairecimento, de alívio de tensões. Talvez isso ocorra, mas é preciso analisar as conseqüências.

(...) se associam a esses festejos multidões de Espíritos obsessores.

(...) Talvez pudéssemos evitar esse envolvimento (...) Seríamos então o folião evangelizado, que entra no baile momístico em oração, pensamentos em Jesus. Evangelho na mão, entoando cânticos de louvor (...). Certamente não faríamos boa figura.

Lembramos a afirmativa de Paulo contida na Primeira Epístola aos Coríntios: ‘Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas me convém.’

Podemos, como espíritas, participar de qualquer atividade mundana. A liberdade é fundamental para que germine a responsabilidade.

(...) O Espiritismo apenas enfatiza a importância de não perdermos tempo, procurando o que nos convém como Espíritos eternos ao que é realmente importante, as experiências proveitosas que nos enriqueçam moral e intelectualmente.

(...) “O Centro Espírita que freqüento está precisando de uma pintura. Aproveitarei os feriados de carnaval. Convocarei os companheiros e, na quarta-feira, o prédio estará brilhando.”

“No bairro onde presto assistência há dezenas de barracos em péssimas condições, faremos um mutirão no carnaval. Vamos ajudar aquela gente.”

Essas iniciativas permitir-lhe-ão superar tensões, sem os riscos da inconseqüência, e desfrutar da alegria autêntica, sem dramas de consciência e sem ressacas.

(Partes do livro de Richard Simonetti, “Quem Tem Medo dos Espíritos”).

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

O Carnaval sob a Visão Espírita 2

"Os três dias de Momo são integralmente destinados ao levantamento das máscaras com que todo sujeito sai à rua nos demais dias do ano. "

(Espírito Humberto de Campos através do médium Francisco Cândido Xavier, em Novas Mensagens)
Estudando as origens do Carnaval soubemos que essa festa está repleta de sentimentos atávicos inferiores quanto ao comportamento social. A começar pelo próprio nome. Alguns dizem que é fruto de um termo latino que significa “a carne nada vale”, pois que se trata de uma celebração que antecede sobretudo a Semana Santa, período em que seguindo as tradições do catolicismo se deve abster do consumo de carne vermelha (em respeito ao corpo de Cristo). Porém a ‘carne’ em questão é a humana, que é consumida nessa época dentro do contexto da satisfação dos prazeres materiais, ou seja, carnais, de acordo com a errônea idéia popular que diz ‘ser fraca a carne’.

Outros símbolos carnavalescos confirmam tal fato. O Rei Momo, por exemplo, é uma versão moderna da personificação do deus romano Baco, o qual desde aquele tempo era apresentado como sendo um homem obeso vaticinando fartura às colheitas. Também era a alegoria de outros excessos como a gula. O adjetivo ‘gordo’ foi então usado para designar alguns dias do festejo, como Domingo e Terça-Feira Gordas, simbolizando também as orgias “gastro-sexuais” dos bacanais.
Baco (1618-19), de Peter Paul Rubens.

Mômos ou Momus era o nome do deus romano da burla, do sarcasmo e da sátira (inclusive na literatura) e era personificado usando uma máscara e levando à mão um boneco simbolizando a loucura.

No Brasil, o consumo de álcool, drogas, a prática de diversos crimes e sexo irresponsável são incentivados e praticados durante o Carnaval mais do que em qualquer outra época do ano. Não somos contra o uso de preservativos, longe disso, porém a mais segura prevenção é a boa conduta perante o sexo. Há também o assustador número de acidentes automobilísticos nas rodovias, maior parte dos casos produzido pela bebida.

Apesar de toda sofisticação, o Carnaval de hoje continua carregando o primitivismo bárbaro do antigo Entrudo, quando pessoas atiravam nas outras pedras na falta de frutas e na ausência de farinha, cal (que nos olhos pode cegar). Felizmente, como todo comportamento que não acompanha a evolução ética e moral planetária, aos poucos se extinguirá.

Não cabe a nós julgar, proibir ou censurar, mas apenas dar bons conselhos, dos quais os principais são: salvaguardar e não desacompanhar os menores de idade, ser respeitoso e responsável quanto ao sexo, evitar abusos ao álcool, não usar drogas e respeitar o próximo.
 

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

CARNAVAL NA VISÃO ESPÍRITA

CARNAVAL NA VISÃO ESPÍRITA

O Carnaval, conforme os conceitos de Bezerra de Menezes é festa que ainda guarda vestígios da barbárie e do primitivismo que ainda reina entre os encarnados, marcado pelas paixões do prazer violento. Como nosso imperativo maior é a Lei de Evolução, um dia tudo isso, todas essas manifestações ruidosas que marcam nosso estágio de inferioridade desaparecerão da Terra. Em seu lugar, então, predominarão a alegria pura, a jovialidade, a satisfação, o júbilo real, com o homem despertando para a beleza e a arte, sem agressão nem promiscuidade. A folia em que pontifica o Rei Momo já foi um dia a comemoração dos povos guerreiros, festejando vitórias; foi reverência coletiva ao deus Dionísio, na Grécia clássica, quando a festa se chamava bacanalia; na velha Roma dos césares, fortemente marcada pelo aspecto pagão, chamou-se saturnalia e nessas ocasiões se imolava uma vítima humana.

Na Idade Média, entretanto, é que a festividade adquiriu o conceito que hoje apresenta, o de uma vez por ano é lícito enlouquecer, em homenagem aos falsos deuses do vinho, das orgias, dos desvarios e dos excessos, em suma.

A letra da música de Caetano Veloso diz: “atrás do trio elétrico só não vai quem já morreu”, mas para os espíritas a letra deveria ser modificada para: “atrás do trio elétrico também vai quem já morreu”, porque o Espiritismo nos esclarece que estamos o tempo todo em companhia de uma inumerável legião de seres invisíveis, recebendo deles boas e más influências a depender da faixa de sintonia em que nos encontremos. Essa massa de espíritos cresce sobremaneira nos dias de realização de festas pagãs, como é o Carnaval. Nessas ocasiões, como grande parte das pessoas se dá aos exageros de toda sorte, as influências nefastas se intensificam e muitos dos encarnados se deixam dominar por espíritos maléficos, ocasionando os tristes casos de violência criminosa, como os homicídios e suicídios, drogas lícitas e ilícitas, além dos desvarios sexuais que levam à paternidade e maternidade irresponsáveis, doenças, abortos, etc.

Isso acontece tanto com aqueles que se afinizam com os seres perturbadores, adotando comportamento vicioso, quanto com criaturas cujas atitudes as identificam como pessoas respeitáveis, embora sujeitas às tentações que os prazeres mundanos representam, por também acreditarem que seja lícito enlouquecer uma vez por ano.

Mas, do mesmo modo como somos facilmente dominados pelos maus espíritos, quando sintonizamos na mesma frequência de pensamento, também obtemos pelo mesmo processo, a ajuda dos bons, aqueles que agem a nosso favor em nome de Jesus. Basta, para tanto, estarmos predispostos a suas orientações, atentos ao aviso de “orar e vigiar” que o Cristo nos deu há dois mil anos, através do cultivo de atitudes salutares, como a prece e a praticada caridade desinteressada.

Como disse Carlos Baccelli: “Advertiu-nos o apóstolo Paulo: "Tudo me é lícito, mas nem tudo me convém". O mal não está tanto na coisa em si; está em como nos conduzimos dentro dela. O carnaval não seria o que é, se não fôssemos o que somos. É natural a presença do jovem espírita em festas e boates; no entanto, ao adentrar uma casa de diversão, ele não pode deixar lá fora a sua condição religiosa, como se tal condição lhe fosse uma capa da qual ele pudesse despir-se à vontade.”

Então, podemos concluir que, seria bom evitarmos, mas se não for possível, podemos nos divertir, mas nos comportemos como cristãos seja lá onde estivermos. ORAÇÃO e VIGILANCIA é a recomendação sempre atual.

(Compilação de Rudymara retirado do texto da Revista Espírita e do livro Mediunidade na Mocidade de Carlos A. Baccelli)

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Oxossi e Caboclos

Oxossi detém o poder de criar, manter e transformar a fauna e flora do Planeta, por meio das energias poderosas emanadas do Criador, que se expande na dinamização do Conhecimento humano, abrindo de forma harmoniosa e equilibrada o raciocínio humano para a apreensão dos valores sábios e verdadeiros, elevando-os a estados cada vez mais espiritualizados, distantes da ignorância, do fanatismo e da desordem da razão.
Oxóssi é o caçador por excelência, mas sua busca visa o conhecimento. Logo, é o cientista e o doutrinador, que traz o alimento da fé e o saber aos espíritos fragilizados tanto nos aspectos da fé quanto do saber religioso.
Oxossi é o grande Caçador Divino, pois caça, através do arco e flecha do conhecimento e do raciocínio sábio, as almas dos seres encarnados e desencarnados, curando-os da lepra da ignorância, abrindo-lhes o raciocínio para o entendimento das belezas e da sabedoria do espírito a caminho da Casa do Pai.
A Umbanda sincretiza esta Vibração Sagrada com a imagem de São sebastião e celebra sua festa no dia dedicado a este santo.
Junto a Oxossi, o Orixá Ossãe desempenha o mesmo papel, através da manipulação das ervas, dotando-as de atividades energéticas medicinais e litúrgicas. Medicinais no sentido da cura do físico, emocional e psíquico dos seres. Litúrgico pela concentração, de forma essencial, de energias da terra, da água, do fogo e do ar, servindo para o culto dos diversos Orixás ou manipulações magísticas.
As ervas têm ainda o poder de limpeza, quando usadas de forma correta, desintegrando miasmas e energias deletérias que ficam fixadas nos nossos corpos etéricos e perispirituais.

CABOCLOS

A Vibração de Oxossi dirige e conduz, do Alto, a grande Linha de Trabalhadores Espirituais de Umbanda que recebem o nome místico de Caboclos. Embora essas Entidades espirituais tenham suas vibrações próprias, como espíritos individuais que são, estão todos reunidos em falanges que se abrigam sob a Linha Vibracional do Orixá Oxossi, daí ser a festa em homenagem a esse magnânimo Orixá, também a Festa dos Caboclos de Umbanda.
Os Caboclos são espíritos que adentram ao trabalho do movimento umbandista assumindo, em sua maioria, a roupagem fluídica de índios, cuja vibração polariza-se o mesmo Oxossi. Denominamos de Vibração de Oxossi pura. Na Linha de Caboclos vamos encontrar também as Entidades que assumem roupagens espirituais voltadas à cultura brasileira, mas no sentido da inclusão das classes sociais abandonadas e excluídas, são os Caboclos Boiadeiros que polariza a vibração de Oxossi com a energia vibrada dos ventos e campinas de Iansã; os Caboclos Marujos que polarizam a vibração de Oxossi com a energia das águas salgadas e doces de Iemanjá e Oxum; e os Caboclos Baianos, polarizando a Vibração de Oxossi com o poder transformador de Obaluayê, todos eles trabalhando na sua Vibração individual, mas sob a tutela da Linha Vibracional ativa de Oxóssi.

Fonte: Templo Espiritualista do Cruzeiro da Luz

domingo, 13 de janeiro de 2013

Os Pontos Cantados e Seu Significado

Um dos fundamentos de vital importância para harmonização e eficácia dos trabalhos dentro de um templo umbandista é, sem dúvida, o que diz respeito aos Pontos Cantados (curimbas). 

Em tempos imemoriais, o Homem materialista é ligado quase que exclusivamente aos aspectos físicos que o circundavam, tomado de profundo vazio consciencioso, resolveu traçar caminhos que o fizesse resgatar a verdadeira finalidade de sua existência. Alicerçado em princípios aceitáveis, passou a buscar o elo de ligação para com o Criador, a fim de se redimir do tempo perdido e desvirtuado para outras ações. Uma das formas encontradas para a reaproximação com o Divino foi a música, onde se exprimiam o respeito, a obediência e o amor ao Pai Maior. Desta forma, os cânticos tornaram-se um atributo socio-religioso, comum a todas as religiões, onde cada uma delas, com suas características próprias, exteriorizavam sua adoração, devoção e servidão aos desígnios do Plano Astral Superior. A Umbanda, nossa querida religião anunciada no plano físico em 15 de novembro de 1908, em Neves, Niterói – RJ, pelo espírito que se nominou-se Caboclo das Sete Encruzilhadas, também recepcionou este processo místico, mítico e religioso da expressão humana. Nos vários terreiros espalhados pelas Terras de Pindorama (nome indígena do Brasil), observamos com fé, respeito e alegria os vários pontos cantados ou curimbas, como queiram, sendo utilizados em labores de cunho religioso ou magístico. Em realidade os Pontos Cantados são verdadeiros mantras, preces, rogativas, que dinamizam forças da natureza e nos fazem entrar em contato íntimo com as Potências Espirituais que nos regem. Existe toda uma magia e ciência por trás de um ponto (curimba) que, se entoadas com conhecimento, amor, fé e racionalidade, provoca, através das ondas sonoras, a atração, coesão, harmonização e dinamização de forças astrais sempre presentes em nossas vidas. A Umbanda é capitaneada por sete Forças Cósmicas Inteligentes (Orixás). Todas estas irradiações têm seus pontos cantados próprios, com palavras-chave específicas e a justaposição de termos magísticos, de forma que o responsável pelo ponto cantado (curimba) deve Ter conhecimento do fundamento esotérico (oculto) da canção.Temos visto em algumas ocasiões determinadas pessoas até com boas intenções, mas sem conhecimento, "puxarem" pontos em horas não apropriadas e sem nenhuma afinidade com o trabalho ora realizado. Tal fato pode causar transtornos à eficácia do que está sendo feito, uma vez que podem atrair forças não afetas àquele labor, ou ainda despertar energias contrárias ao trabalho espiritual. Quanto à origem, os pontos cantados dividem-se em Pontos de Raiz (enviados pela espiritualidade), e Pontos terrenos (elaborado por pessoas diretamente) os Pontos de Raiz ou espirituais jamais podem ser modificados, pois constituem-se em termos harmoniometricamente organizados, ou seja, com palavras colocadas em correlação exata, que fazem abrir determinados canais de interação físico-astral, direcionando forças para os mais diversos fins (sempre positivos). No que concerne aos Pontos cantados terrenos, a Espiritualidade os aceita, desde que pautados na razão, bom senso e fé de quem os compõe. Às vezes, porém, nos deparamos com algumas curimbas terrenas que nos causam verdadeiro espanto, quando não tristeza. São composições "sem pé nem cabeça", destituídas de fundamento, com frases ingênuas e sem nenhum nexo, chegando algumas a denegrirem os reais valores umbandistas. Cantam pontos (curimbas) por aí dizendo que Exu tem duas cabeças; que Bombogira (Pombagira) é prostituta e mulher de sete maridos; que Preto-Velho é feiticeiro e mandingueiro; que Ogum é praça de cavalaria, e outras incoerências mais... Quanto à finalidade, os Pontos Cantados podem ser: Pontos de chegada e partida; Pontos de vibração; Pontos de defumação; pontos de descarrego; Pontos de fluidificação; Pontos contra demandas; Ponto de abertura e fechamento de trabalhos; Pontos de firmeza; Pontos de doutrinação; Pontos de segurança ou proteção (são cantados antes dos de firmeza); Pontos de cruzamento de linhas; Pontos de cruzamento de falanges; Pontos de cruzamento de terreiro; Pontos de consagração do Congá; e outros mais, consoante a finalidade a que se destinam. Vimos pelo acima exposto que os pontos (curimbas), por serem de grande importância e fundamento, devem ser alvo de todo o cuidado, respeito e atenção por parte daqueles que as utilizam, sendo ferramenta poderosa de auxílio aos Pretos-Velhos, Caboclos, Crianças , Exus, e demais espíritos que atuam dentro da Corrente Astral de Umbanda.
 
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