domingo, 9 de fevereiro de 2014

Oratório para São Jorge Ogum

Este foi o primeirão, o primeiro oratório que fiz. Tem uns errinhos que me alertaram para manter a atenção nos detalhes, mas que foi uma ótima experiência e aprendizado. E, o que é melhor, apesar dos errinhos (que um olho treinado facilmente perceberá), ele já foi vendido a um amigo, que também acabou por encomendar os oratórios da Imaculada e da SantaAna que já apresentei aqui.

Este foi somente o primeiro... de MUITOS! E o primeiro para um novo estilo de vida para mim... porque todos nós temos direito a trabalhar sem sermos patrão ou emprega, já parafraseando o slogan da EcoSol :)

Segue um texto que escrevi no ano passado e publiquei no Blog PatriciaDo, sobre São Jorge como Ogum.

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Dia 23 se homenageia OGUM, o Orixá do Ferro e da Luta, aquele que forjou as ferramentas e legou à Humanidade, para que ela, por sua própria conta, pudesse se prover através da agricultura e da caça, criar seu próprio abrigo, se proteger e ajudar em sua evolução.
Ogum é o Dono dos Caminhos, aquele que tanto guia quanto escolta. Por sua qualidade aguerrida, é ele que impulsiona para frente, fazendo vencer os obstáculos ao enfrentá-los com coragem e cabeça erguida. Ele é a Força da Natureza que impulsiona a todos para a vida, quando nascemos e lutamos, diariamente, por nossa sobrevivência e permanência no mundo. Ogum é o Fogo da Vida, o fogo que inflama a vontade, que faz a todos levantar e seguir adiante, pois, assim como o Elemento Fogo, só há uma direção a seguir: para cima!
Pai áustero, não é do feitio de Ogum engambelar nenhum filho. É o Pai que aponta os caminhos, que pega na mão para ensinar a arar, a pescar, a caçar (no sentido metafórico). Mas sua austeridade visa sempre o bem do filho. Não é o Pai que levanta o filho caído para pôr no colo, mas sim o Pai que fica ao lado do filho caído, incentivando-o a levantar-se por si mesmo, cuidando apenas para que nenhum ato injusto o acometa e atrapalhe sua ascenção, afinal, ele é o Orixá da Lei (de Execução) e da Ordem. Ogum não dá absolutamente nada de graça, mas auxilia no que for quando vê que o filho prossegue no Bem e luta diariamente por sua própria melhoria interior.
Ogum é Pai zeloso, mas exigente. Não se comove com fraquezas, mas professoralmente mostra como vencer as demandas e impencilhos que, na maioria das vezes, foi o próprio filho que colocou em seu próprio caminho. Mas Ogum não arreda o pé, nunca! Está sempre ali, guiando, protegendo, instruindo, mesmo que não engambele, que não passe a mão na cabeça. E todo filho de Ogum sempre se levanta mais forte e mais sábio.
Ogum Yê, meu Pai amado! Obrigada por tudo, por toda a Força, por todo apoio, por todo amparo! Obrigada por exigir tanto de mim, me tornando mais criteriora em relação a tudo. Obrigada pela proteção, pela Luz e pela Fé, que se acenderam por sua interseção!
Ogum na Mitologia Yorubá
Os povos iorubanos são (ou eram) povos naturalmente guerreiros. Uma boa comparação, para melhor entendimento, é com os Romanos. A Nação Yorubá estava sempre voltada para o desbravamento, para as conquistas e dominações de territórios, por isso estavam quase sempre em lutas contra outras nações. Os Yorubás dominaram o Reino de Daomé, e assim como os Romanos fizeram com os Gregos (e outros povos), acabaram fundindo sua cultura, o que os antropólogos e historiadores chamam de Aculturação. Ao fundir as culturas, elementos de uma e de outra passaram a conviver com relativa harmonia, criando-se novas expressões culturais e novos conceitos, inclusive religiosos.
Apesar da maioria dos Orixás cultuados hoje no Brasil ser uma fusão entre as religiões yourubanas e daometanas, Ogum é um Orixá original da Mitologia Yorubá, acreditando-se, inclusive, que ele seja uma das primeiras Deidades a ser cultuada pelos yorubás, o que faz muito sentido, visto a qualidade aguerrida desse povo.
Em Yorubá, Ogum se grafa como Ògún, é o Senhor do Metais e da Guerra. Sendo o criador da fundição, forjou ferramentas e armas, ensinando os homens a cultivar alimentos, a caçar e a guerrear, tirando a Humanidade da Idade da Pedra.
By Pat Kovacs - patkovacs.blogspot.com 
 
Ogum no Brasil
Ogum é um orixá costumeiramente associado à guerra e ao fogo. Sendo geralmente representado sob a figura de um guerreiro, Ogum estabelece um arquétipo de luta e conquista aos que se dedicam à sua adoração. Seu grau de importância é tamanho, pois ele é o orixá que possui maior proximidade com os seres humanos depois de Exu. Conhecedor de segredos, ele sabe muito bem como fabricar os instrumentos necessários para a batalha e para o trabalho com a terra.
Por conta dessas habilidades, observamos que as várias representações dessa divindade costumam colocá-lo empunhando uma espada, uma enxada ou uma pá. De acordo com a mitologia africana, Ogum era filho do rei Odudua, fundador da cidade de Ifé. Apesar de viver os privilégios de um príncipe, Ogum era uma figura bastante inquieta e gostava muito de representar seu pai nas lutas pela conquista de novos territórios. Logo assim, ele se tornou uma divindade que inspira a constante tomada de atitudes.

Nas várias descrições que tentam falar sobre Ogum, percebemos que o mesmo aglomera um claro universo de comportamentos impulsivos e, ao mesmo tempo, pragmáticos. Ao mesmo tempo em que luta com bravura e se entrega ao amor intensamente, Ogum também é bastante reconhecido pelo seu gosto pela presença dos amigos e a alegria de viver. Apesar de ser tão temperamental como seu irmão, o orixá Exu, este não possui a mesma sagacidade e malícia.

As oferendas dedicadas a Ogum são costumeiramente organizadas durante as terças-feiras, dia em que é feita sua consagração. Praticamente todas as danças que evocam a figura deste orixá são marcadas por gestos de luta. Além disso, os alimentos que são elaborados para suas oferendas não possuem uma preparação muito complexa. No ritual jeje, Ogum é equivalente ao vodum Doçu. Já entre os praticantes do rito angola, esse mesmo orixá é conhecido como Roxo Mucumbe ou Incoce.

Em terras brasileiras, Ogum acabou sendo facilmente associado à história dos vários santos guerreiros que integram o cristianismo. Nessa situação sincrética, acabou sendo relacionado à imagem de São Jorge, principalmente na cidade do Rio de Janeiro. Essa aproximação pode ser historicamente reconhecida na Guerra do Paraguai, quando vários negros participantes do conflito professaram que a vitória na Batalha de Humaitá teria sido fruto da proteção do santo que simbolizava o orixá.

Fonte: Por Rainer Sousa, Graduado em História - Equipe Brasil Escola
O Ogum no Candomblé
OGUM é o temível ORIXÁ considerado o mais guerreiro, violento e implacável de todo o Panteão. É o deus do ferro, da metalurgia e da tecnologia; protetor dos ferreiros, agricultores, caçadores, carpinteiros, escultores, sapateiros, talhadeiros, metalúrgicos, marceneiros, maquinistas, mecânicos, motoristas e de todos os profissionais que de alguma forma lidam com o ferro ou metais afins. OGUM é o ORIXÁ conquistador. ELE se fez respeitado em toda a África negra devido ao seu caráter devastador. Foram muitos os reinos que se curvaram diante do poder militar de OGUM.
OGUM é um ORIXÁ importantíssimo na África, Brasil e em Portugal. Foi OGUM quem ensinou aos homens como forjar o ferro e o aço. Ele tem um conjunto de sete instrumentos de ferro: alavanca, machado, pá, enxada, picareta, espada e faca, com as quais ajuda o homem a vencer a natureza.
Em todos os cantos da África negra OGUM é conhecido, pois soube conquistar cada espaço daquele continente com a sua bravura. Matou muita gente, mas matou a fome de muita gente também, por isso antes de ser temido OGUM é amado.
A Espada! Eis o braço de OGUM.
O campo de atuação de OGUM é a linha divisória entre a RAZÃO e a EMOÇÃO.
No Ketu, costuma-se dizer que OGUM é aquele que está sempre vigilante, marcial, extremamente disciplinado e sempre pronto para agir onde quer que seja chamado. Mas temos que chamar este ORIXÁ corretamente, pois ELE conhece e domina todos os caminhos e nunca se perde.
Os locais consagrados a OGUM ficam SEMPRE ao ar livre, na entrada das casas ou roças de CANDOMBLÉ.
OGUM é o ORIXÁ que sempre vence as demandas para as pessoas. Mas temos de ter muito cuidado com aquilo que pedimos para ELE. Se OGUM achar o pedido injusto, ELE se volta contra quem fez o pedido.
Fisicamente, OGUM é magro, mas com músculos e formas bem definidas. Partilha com EXÚ o gosto pelas festas e conversas infindáveis e gostam de brigas boas. Se não fizerem a sua própria briga, compram as de seus amigos e colegas.
Sexualmente Ogum é muito potente e vivia trocando constantemente de parceiras, pois têm dificuldade em se fixar a uma pessoa ou a um lugar. OGUM gosta de pisar a terra com os pés descalços. É batalhador e não mede esforços para atingir seus objetivos. E mesmo contrariando a lógica, luta insistentemente e vence.
OGUM não se prende à riqueza, o que ganha hoje, gasta amanhã. OGUM gosta mesmo é do PODER, gosta de comandar, é um líder nato.
OGUM é o que vem primeiro, é aquele que está sempre a frente...
Características: Cores e Contas: Azul forte, Vermelho e Verde.. Símbolo: Bigorna, Faca, Enxada e outras Ferramentas. Dia da Semana: Terça-Feira. Comidas: Feijoada, Vatapá, Inhame com Feijão Preto, Farofa. Saudação: Ogum Yê!
Fonte: http://www.guardiadeorixa.com/Ogum.htm
Ogum na Umbanda
Primeiro precisamos entender que quando falamos dos Oguns que baixam nos Templos de Umbanda, rodando suas espadas no ar, não são o próprio Orixá Ogum, pois o Orixá não baixa na Umbanda, muito menos são Caboclos de Ogum, os caboclos de Ogum são índios que fazem cruzamento com este Orixá.
O Povo de Ogum que baixa nos terreiros são espíritos de homens que foram ligados ao militarismo de alguma forma. Estes espíritos, por afinidades astrológicas e energéticas, que trabalham nessa linha, são Guerreiros Romanos, Gregos, Espartanos, Mouros, Gauleses, Bárbaros, Hititas, Egípcios, Malês, Sarracenos, Templários, Britânicos, Chefes Indígenas, Bedúinos, Persas, Macedônios, Chineses, Samurais, Babilônicos, enfim, são de vários países e territórios. Vamos a explicações:

Ogum Matinata: Veste Vermelho apenas, é a linha mais pura de Ogum, sando chamado por Ogum Guerreiro.

Ogum Beira-Mar: Veste Vermelho e Azul Claro, ligado as praias de Iemanjá, conhecido como o Sentinela de Maria.

Ogum de Lei (Ogum Delê): Ligado a Xangô usa Vermelho e dourado, cor de sua armadura trás uma balança nas mãos ligado a execução da justiça.

Ogum Yara : Ligado a Ibeji e Oxum, usa vermelho e Azul escuro trabalha nas nascentes dos rios.

Ogum Malê ou Malei: Ogum ligado a Oxalá,patrono das entidades do Oriente e de Cura, cuida de todos espíritos dos médicos astrais, usa Vermelho e Branco, não usa acapacete.

Ogum Megê: Serventia de Obaluae, regula os Exus, trabalha muitas vezes dentro da Calunguinha, veste Preto, Vermelho e Amarelo, usa bandeira e lança como arma,alguns usam espadas, sempre respresentado montado num cavalo branco.

Ogum Rompe-Mato: Ligado a Oxossí, cuida das entradas das matas e florestas, usa Verde escuro e Vermelho, uma espada de São Jorge na mão, alguns usam fitas na cabeça.

Ogum Sete-Espadas: Ligado a energia pura de Ogum, vibra com Ogum Matinata, usa uma espada na mão e outras seis cruzadas na capa, Usa vermelho e prata.

Ogum Sete-Ondas: Vibra com Ogum Beira-Mar, trabalha nas ondas do mar, ligado a Iemanjá. Usa Azul Royal e Vermelho, se veste com capacete de conchas.

Ogum das Pedreiras: Guarda as pedreiras de Xangô de armadura dourada e penas marrons, vibra com Ogum de Lei quase não se desloca grande executor não aceita ordens.

Ogum Caiçara: Vibra com Ogum Yara, usa Vermelho e Azul bebê, se desloca pelo templo cuida do fundo da foz dos Rios.

Ogum do Oriente: Vibra com Ogum Malê, coms ligações arábes traz um turbante, vibra com as cores vemelho, branco e dourado.

Ogum de Ronda: Trabalha com Ogum Megê trabalha nas entradas da Calunguinha, corre sua ronda a Meia-Noite.Usa Preto, Vermelho e Verde. Trás cruz de Malta no peito.

Ogum das Matas: Usa Verde e Branco são espíritos Indigênas, usam espadas e bradam muito.

Ogum Sete-Lanças : Ligado a Ogum Matinata e Sete-Espadas usa vermelho apenas,  roda cruzando o terreiro.

Ogum Sete-Mares: Ligado a Ogum Beira-Mar e Ogum Sete-Ondas, cuida dos Mares usa azul bem escuro e vermelho.

Ogum de Ouro: Trabalha com Ogum de Lei e Ogum das Pedreiras, Usa Vermelho e Amarelo. Vibra com Iansã.

Ogum Menino: Vem com Ogum Yara e Ogum Caiçara trabalha nos lajeados e barrado de corais. Usa Vermelho e Azul.

Ogum da Lua : vibra com Ogum Malê e Ogum do Oriente, trabalha nas vibrações lunares, nos campos abertos do Humaitá. Usa Vermelho e branco.

Ogum Xoroquê: Trabalha com Ogum Megê e Ogum de Ronda vibra muito com Exu, ligado a obaluae tbm, é o Ogum mais negativo. Usa Preto, Vermelho e Branco.
Ogum dos Rios: Trabalha com Ogum Rompe-Mato e Ogum das Matas usa verde Agua e vermelho apesar do nome trabalha nas Pontes.

Além desses ainda existem outros Oguns: Ogum Naruê (Trabalha na calunguinha), Ogum da Estrada (Trabalha na estrada), Ogum Rompe Folha (Trabalha na Mata) Ogum Bandeira (Trabalha no Humaitá), Ogum Gererê (Ligado a Xangô).
Fonte: http://umbandadejesus.blogspot.com.br/2012/04/ogum-na-umbanda.html

sábado, 8 de fevereiro de 2014

FEITO NO SANTO - Minha marca de Artesanato Religioso :)

Depois de 20 anos, resolvi voltar a fazer artesanato. Quando ainda era jovem, na época de estudante, fiz muito, e até tirava um dinheirinho vendendo na escola. Depois disso, houve um período de 10 anos na minha vida que considero completamente nulo, como se eu tivesse estado em coma por todo esse tempo! E, por um ponto de vista, estava mesmo em coma!

Agora, infelizmente movida pela necessidade, me decido a retornar ao artesanato. Não ao mesmo tipo que eu fazia naquela época, mas um que chegou a ser modismo nos tempos atuais: trabalhos com MDF, só para começar. Mas não qualquer trabalho.

De uns 7 anos para cá me espiritualizei muito, mas muito mesmo. Aprendi muita coisa desse mundinho invisível que, talvez, só exista dentro daquele que acredita. E gostei muito do que descobri, aprendi e passei a viver. Tanto gostei que quero levar isso mais além. Juntar o útil ao agradável. Juntar o profano ao sacro. Juntar a necessidade ao prazer.

FEITO NO SANTO é a marca que criei para os meus artesanatos que flertarão diretamente com a Espiritualidade brasileira, tão eclética e miscigenada quanto ao seu povo, quanto a nós! São peças trabalhadas com carinho e devoção, respeitando as Deidades que lhes inspiram ao mesmo tempo em que são feitas para se tornarem parte de um devoção.

Oratórios, capelas, santinhos, pinturas serão como orações rezadas sobre peças de madeira, resina e gesso, que possam ser capazes de levar e trazer bênçãos, ou simplesmente alegria ao enfeitar um cantinho na sala ou quarto.

Feito no Santo trará peças artesanais, decorativas e/ou devocionais, feitas com o mesmo carinho que todo trabalho manual é feito, mas carregadas de energia e símbolos por alguém que sabe o que está fazendo.

domingo, 2 de fevereiro de 2014

02 de Fevereiro - Dia de Iemanjá

Odoiá, odoiá, Iemanjá,
Rainha das Ondas, sereia do mar.
Como é belo seu canto, senhora!
Quem escuta chora, mãe das águas,
Do oceano, soberana das águas.
Dê-me sucesso, progresso e vitória.
Abra meus caminhos no amor e cuide de mim.
Que as águas sagradas do oceano lavem minha alma e meu ser.
Abençoe, mãe, minha família e meus amigos.
Permita que o amor seja nossa maior fonte de energia.
Sou suas águas, suas ondas, e a senhora cuida dos meus caminhos.
Iemanjá, em seu poder eu confio.
Acenda uma vela a Yemanjá - Altar Virtual 

Enquanto houver Mar, haverá Yemanjá! "Mãe cujos filhos são peixes", é a mais maternal das Yabás, as Orixás femininas.

Tida como a Rainha do Mar, é um Orixá que carrega as características do seu Campo Santo (o mar): poderoso, vasto, riquíssimo de vida e recursos, profundo, misterioso, acalantador. Manso, sua visão trás tranquilidade, mas em sua fúria, não há nenhum outro elemento tão devastador - literalmente não restando pedra sobre pedra quando sua fúria é despertada.

Yemanjá é Mãe zelosa. Amorosa quando é para acalantar, dando o conforto e tranquilidade de uma praia mansa, de apenas marolas. Provedora, como a vastidão de suas águas salgadas, que fornecem alimento e fertilidade. Severa, quando é preciso chamar seus filhos à razão, tal qual o mar que se revolta em ondas que estouram na mansa praia. Terrível, quando vem cobrar o respeito que lhe é devido, como um maremoto que devora a costa, obrigando a novo recomeço.

Iyemanjá, Yemanjá, Yemaya, Iemoja, Iemanjá ou Yemoja. Mãe d´água, Janaína, Iara, Sereia, Princesa do Mar, Marabô, Inaê, Mucunã, Rainha do Mar, Rainha das Águas. Yemanjá é a Força da Natureza que representa a Criação, a Fertilidade, a Vida. Assim como todos somos filhos de Oxalá, também somos de Yemanjá, mesmo que ela não seja a regente de cabeça. Ela está presente em nós desde o líquido amniótico. É ela que ampara a cabeça do bebê no nascimento. Está presente nas águas do nosso corpo. Todos somos seus filhos, todos somos peixes. Todos viemos das águas salgadas.

O culto a Yemanjá é muito difundido no Brasil e em Cuba. Ela é tão querida que tem simpatizantes de diferentes credos e regiões. Ao contrário de alguns Orixás que são cultuados apenas pelos Filhos de Fé (Umbandistas e Candomblecistas), Yemanjá tem a adoração mesmo daqueles que não professam as religiões afro-espiritualistas. Sua cultura está tão enraizada e difundida no Brasil, que é difícil desassociar as praias e o mar da Orixá, tanto que é muito comum encontrar uma imagem, por mais pequenina que seja, nas nossas praias. Infelizmente, por conta da proliferação do Protestantismo no Brasil (que pouco ou nada tem a ver com o verdadeiro), muito das nossas tradições, herdadas dos verdadeiros donos da nossa terra - os Índios, que aqui germinaram, e os Negros, que aqui construíram e ergueram o solo - vêm sofrendo com a ignorância e a estupidez daqueles que não compreendem os ensinamentos de Cristo.

Na tradição cultural, Yemanjá é um Orixá da Mitologia Africana Yorubá, da Nação Egbá, um subgrupo iorubá pertencente à Nigéria, na região que hoje recebe o nome Abeokutá, que é a capital do estado Ogun. Porém, os Egbás pertenciam à região que fica entre as cidades Ifé e Ibadan, que remotam em até 500 a.C.  Lá corta o Rio Yemonja, que originou o culto à Orixá. Por conta das guerras entre nações, os Egbás migraram para a região que corta o Rio Ògùn (na estado de Ogun), que se tornou o novo reino de Yemanjá.

Como Rainha do Mar, Yemanjá recebeu este título apenas no Brasil, já que na Nigéria, país dos povos iorubás, não se tem ligação com o mar. Lá ela é cultuada como uma Divindade das Águas Doces. A Senhora do Mar, para os Ifés, ou Senhor do Mar, para os Benins, é Olokun.

Yemanjá possui sete qualidades - desdobramentos de atuação, que irradiam a partir da Orixá Planetária (assim como todos os outros Orixás e seus desdobramentos). São elas:

1. Yemanjá AWOYÓ:
A primogênita. A mais velha das Yemanjás e dos mais ricos trajes; usa sete saias para guerrear e defender seus filhos. Ela vive distante no mar e repousa na lagoa; quando sai a passeio, usa as jóias de Olokum e coroa-se com Oxumarê, o arco-íris.
2. Yemanjá OKETÉ (OGUTÉ, OKUTÍ ou KUBINI)
É a guardiã de Olokum. A do azul pálido (claro), está nos arrecifes da costa (porteira de Olokum). Encontra-se tanto no mar, no rio, na laguna, quanto na mata. Yemanjá, nesta qualidade, é mulher do Deus da guerra e dos ferros, OGUM. Recebe oferendas em sua companhia e as aceita tanto no mar quanto no matagal. Quando guerreia leva pendentes da cintura o facão e as demais ferramentas de Ogum. Ela trabalha muito, é severa, rancorosa e violenta. É uma temível amazona.
3. Yemanjá MAYALEO ou MAYELEWO:
Mora nos bosques, em um pequeno poço ou manancial, que em sua presença se torna inesgotável. Nesse caminho, assemelha-se à sua irmã Oxum Ikolé, porque é feiticeira. Tem estreitas ligações com Ogum. Tímida e reservada, incomoda-se quando se toca o rosto de sua iaô e retira-se da festa.
4. Yemanjá AYABÁ ou ACHABÁ
Nesta qualidade, Yemanjá é perigosíssima, sábia e muito voluntariosa. Usa no tornozelo uma corrente de prata. Seu olhar é irresistível e seu ar é altaneiro. Foi mulher de Orunmilá, e Ifá sempre acata sua palavra. Para ouvir seus fiéis costuma ficar de costas. Suas amarrações jamais podem ser desatadas.
5. Yemanjá KONLÉ ou KONLÁ:
A da espuma. Está na ressaca da maré; enreda e envolta em um mato de algas e limo. Por ser navegante, vive nas hélices dos barcos.
6. Yemanjá AKUARA:
A das duas águas – Yemanjá na confluência de um rio. Ali encontra-se com sua irmã Oxum. Mora na água doce, gosta de dançar, é alegre e muito correta; Não pratica malefícios. Cuida dos doentes, prepara remédios, amarra abicus.
7. Yemanjá ASESU:
É a mensageira de Olokum, a da água turva, suja. Muito séria e trabalhadora; vai no esgoto, nas latrinas e cloacas. Recebe suas oferendas na companhia dos mortos.
Como todos os Orixás, Yemanjá tem seus Obreiros, que são chamados de Povo D'Água: são Guias, Mentores e Guardiães. São os Marujos/Marinheiros, Pescadores e Caboclas/Caboclos, que apesar de serem trabalhadores orientados por Oxóssi, vém na vibratória de Yemanjá. As Sereias, que são Elementais das Águas (Ondinas), também são da vibratória da Mãe D'Água. Assim como os Pesacadores, as Sereias são raras na incorporação de médiuns, e quando fazer o acoplamento áurico (vulgo incorporação), sentam-se no chão sobre as pernas e entoam um mantra que lembra um canto lamurioso. As Sereias não são Espíritos humanos, mas pertencentes ao Reino dos Elementais, um Reino sem representação material no nosso Plano, mas em uma transição entre os Reinos Humano e Animal.

Entretanto, o Povo D'Água, em sua riqueza e complexidade, também precisa ser explicado em uma postagem própria, à parte.

Sincretismo:

No sincretismo religioso, Yemanjá é associada a várias qualidades de Nossa Senhora (que é apenas uma, Maria de Nazaré, mas que recebe variados desdobramentos em função dos locais de sua aparição ou pela devoção dos fiéis que buscam soluções específicas para seus problemas):

Esse sincretismo com as variações de Nossa Senhora correspondem a diferentes regiões do país. Igualmente difere as datas em que os devotos prestam suas homenagens a Yemanjá.

No Rio de Janeiro, Yemanjá é festejada no dia 31 de Dezembro, com a passagem de ano, embora tenha se tornado proibido nas praias mais badaladas (Zona Sul), ocorrendo normalmente nas praias da Costa Verde e Baía de Sepetiba.

Na Bahia, a data é comemorada no dia 02 de fevereiro (hoje), e é lá que ocorre a maior festa em homenagem à Yabá, com uma procissão que segue até a Igreja de Santana, que fica no bairro de Rio Vermelho, área nobre de Salvador, indo para a Praia do Rio Vermelho, uma enseada que abriga colônia de pescadores. Há procissão de barcos e a entrega de presentes e oferendas, uma tradição de quase um século que se iniciou em 1923, quando uma escassez de peixes fez com que os pescadores da região saíssem em procissão com seus barcos, levando oferendas a Yemanjá.

Outra grande festa ocorre na cidade de Rio Grande, no Rio Grande do Sul, uma região litorânea que tem por Padroeiro São Pedro e conta com, pelo menos, três festas marítimas populares por ano: Festa de Yemanjá, Festa do Mar e Festa do Peixe e do Camarão. Também no Rio Grande do Sul, em Pelotas, no Balneário dos Prazeres, Yemanjá é homenageada hoje, a 2 de fevereiro. No ano passado, a festa atraíu para o balneário mais de 30 mil pessoas. E em Porto Alegre, também no dia de hoje, há a maior Festa de Yemanjá do Litoral Sul brasileiro, uma comemoração que teve início em 1870. A imagem da Orixá é levada em procissão da Igreja de Nossa Senhora do Rosário até a Igreja de Nossa Senhora dos Navegantes. Sendo esta a segunda maior romaria religiosa do Brasil, depois do Círio de Nazaré, que ocorre em Belém, no Pará.

Em João Pessoa, na Paraíba, a Festa de Yemanjá é também muito popular, mas sua comemoração se dá no dia 8 de dezembro, onde ela é sincretizada com Nossa Senhora da Conceição.

Em Cuba, Yemanjá é grafada como Yemayá. Cultuada pela Santeria, é sincretizada com a Virgen de Regla, uma Nossa Senhora negra, cuja imagem foi esculpida por San Augustin, depois do bispo ter uma visão. É a Padroeira dos portos em Havana.


Ervas:
Alcaparreira – Galeata: Muito usada nos terreiros do Rio Grande do Sul. Entra nas mais variadas obrigações do ritual, sendo utilizadas para isso folhas e cascas. Também é muito prestigiada nos abô de preparação dos filhos, para obrigação de cabeça e nos banhos de limpeza. As cascas e raízes popularmente vem sendo usadas como diuréticos. Seus frutos são comestíveis e deles é preparada uma geléia eficaz contra picadas de cobras e insetos venenoso.

Alteia – Malvarisco: Muito empregada nos banhos de descarrego e na purificação das pedras dos orixás Nanã, Oxum, Oxumarê, Yasãn e Yemanjá. Muito prestigiada nos bochechos e gargarejos, nas inflamações da boca e garganta.

Aracá-da-praia: Planta arbórea pertencente a Yemanjá e a Oxossi. É empregada nas obrigações de cabeça, nos abô e nos banhos de purificação dos filhos dos orixá a que pertence. No uso popular cura hemorragias, usando-se o cozimento. Do mesmo modo também é utilizado para fazer lavagens genitais.

Araticum-de-areia – Malolô: Liturgicamente, os bantus a usam nos banhos de descarrego, sem mistura de outra erva. A medicina caseira indica a polpa dos frutos para resolver tumores e o cozimento das folhas no tratamento do reumatismo.

Coco-de-iri: Sua aplicação se restringe aos banhos de descarrego, empregando-se as folhas. A medicina caseira indica as suas raízes cozidas para por fim aos males do aparelho genital feminino. É usado em banhos semicúpios e lavagens.

Erva de Santa Luzia: Muito usada nas obrigações de cabeça, obori, lavagem de contas, feitura de santo e tiragem de zumbi. De igual maneira, também se emprega nos abô, banhos de descarrego ou limpeza dos filhos dos orixás. A medicina popular a consagrou como um grande remédio, por ser de grande eficácia contra o vício da bebida. O cozimento de suas folhas é empregado contra doenças dos olhos e para desenvolver a vidência.

Fruta-da-Condessa: Tem aplicação nas obrigações de cabeça, nos banhos de descarrego e nos abô. É de grande importância na medicina popular, pois suas raízes em decocto são um grande remédio para a epilepsia. Toma-se meio copo três vezes ao dia. Apesar da irreversibilidade da doença.

Graviola – Corosol: Tem plena aplicação nos abô dos orixás, nos banhos de abô e nos de limpeza e descarrego. É indispensável aos filhos recolhidos para obrigações de cabeça beberem uma dose do suco pela manhã. O povo usa a graviola nos casos de diabete, aplicando o chá.

Guabiraba anis: Aplicada em todas as obrigações de cabeça, nos abô de uso geral e nos banhos de purificação e limpeza dos filhos dos orixás. Utilizadas do mesmo modo nos abô de ori. A medicina popular a utiliza para pôr fim nas doenças dos olhos (conjuntivites). Banhos demorados favorecem aos sofredores de reumatismo.

Maçã-de-cobra: Usada nas obrigações de cabeça, nos abô e nos banhos de descarrego e limpeza. Não possui uso na medicina popular.

Musgo marinho: Esta planta vive submersa nas águas do mar. É planta que entra nas obrigações de ori e nos banhos de limpeza dos filhos de Yemanjá. Os musgos são utilizados pela medicina caseira nas perturbações das vias respiratórias.

Pata de vaca: Empregada nos banhos de descarrego e nos abô, para limpeza dos filhos do orixá a que pertencem. A pata de vaca, na medicina popular, é indicada para exterminar diabetes, e por essa razão, é tida como insulina vegetal. Também cura leucorréia em lavagens vaginais.

Trapoeraba azul – Marianinha: Esta planta é aplicada em todas as obrigações de cabeça, nos abô e nos banhos de limpeza e purificação. Também é axé integrante dos assentamentos do orixá a que pertence. No uso popular, a erva é utilizada contra os efeitos de picadas de cobras. É também diurética e age contra o reumatismo. Os filhos da Deusa das águas salgadas banham-se periodicamente com esse tipo de vegetal.

Unha de vaca: Aplicada em banhos de descarrego dos filhos de Yemanjá. Na medicina caseira é utilizado como adstringente. Aplicado em lavagens locais e banhos semicúpios para combater males ou doenças do aparelho genital feminino.
Fonte: Alaketu


TRONO TRONO FEMININO DA GERAÇÃO E DA VIDA
Linha Geração
Fatores
Criativo (Fator puro) e Geracionista ou Gerador (Fator misto).
Essência Aquática
Cor
Branco cristalino, prata ou azul claro.
(Em algumas Casas: Branco, azul claro. Também verde claro e rosa claro.)
Características
Maternal, protetora, competente, dedicada, mandona, possessiva, intrigante, controladora.
Instrumentos
Abebé (leque prateado, em forma circular, que pode trazer um espelho no centro); adê (coroa ou diadema); braceletes e pulseiras.
Fio de Contas
Contas e Miçangas de cristal. Firmas cristal.
Também podem ser feitos de pequenas pedras de Água Marinha.
Ervas 1- Fonte: Adriano Camargo:
Ervas agressivas ou quentes de Yemanjá: Erva de bicho, buchinha do norte, alho. Verbos atuantes nas ervas quentes: invadir, transbordar, corroer, derramar.
Ervas equilibradoras ou mornas: Alfazema, anis estrelado, rosa branca, camomila, manjericão, erva de Santa Maria, mentruz, hibisco (flor), manjerona, mulungu (casca e raiz), noz moscada, margarida, sensitiva, arroz. Verbos atuantes nas ervas mornas: gerar, fluir, sustentar, avolumar.
2- Mais ervas de uso comum: As pétalas de flores brancas e azuis clarinhas em geral; abebê; aguapé; alcaparreira (ou galeata); alga marinha; alteia (ou malvarisco); anis estrelado; araçá da praia (ou araticum do brejo, ou maçã de cobra); azaléia; boldo; camélia; cavalinha (ou milho de cobra); coco de iri; colônia (ou cardamono); condessa; embaúba; erva cidreira; erva de Santa Luzia; flor de laranjeira; folha de leite; fruta da condessa; gardênia; gerânio; golfo; graviola; guariroba; guabiraba (ou guabiroba); hortelã; hortênsia; íris; jasmim; jarrinha; jequitibá rosa; lágrimas de Nossa Senhora; levante; lótus; mãe boa; macela; malva; malva branca; marianinha (ou trapoeraba azul); musgo marinho; nenúfar; olhos de Santa Luzia (ou trapoeraba branca); oriri; pata de vaca; rama de leite; papoula; plantas aquáticas; trevo; unha de vaca; valeriana; violeta.
Oferendas
1-Comidas rituais: Canjica branca, arroz-doce com mel, acaçá, pudim, manjar branco com calda de ameixa ou de pêssego, sagu com leite de coco, cocada branca, bolo de arroz, ebôya e vários tipos de furá. (Observação: *Ebôya, eboia ou fava de Yemanjá- Comida ritual do Candomblé, feita com fava cozida refogada com cebola, camarão, azeite de dendê ou azeite doce. Pode ser feita com o milho branco na falta da fava, então recebendo o nome de Dibô. É oferecida especificamente a Yemanjá. *Furá- Comida votiva ou ritual, no Candomblé. São bolinhos ou bolas feitos de arroz, ou inhame, ou farinha de mandioca, ou farinha de milho.)
2-Frutas: Mamão, graviola, uvas brancas, melancia, melão, maçã verde, pêra, coco verde, coco seco, caqui, ameixa clara, uva-passa branca, pêssego, goiaba, melão, uvas dedo de dama (uva Juliana), laranjas doces, as frutas suaves em geral, nabo, pepino.
3-Bebidas: Água de coco, mel, água salgada ou potável, o champanhe claro e os sucos de suas próprias ervas e frutos.
4-Flores: Rosas e palmas brancas, angélicas, orquídeas, crisântemos brancos.
Símbolo Lua minguante, ondas, peixes.
Pontos da Natureza Mar.
Flores
Rosas e palmas brancas, flor de laranjeira, hibisco, angélicas, orquídeas, crisântemos brancos, hortênsia, azaléia, gerânio, papoula, nenúfar (a flor da planta aquática de mesmo nome, também conhecida como lótus branco).
Essências Jasmim, Rosa Branca, Orquídea, Crisântemo.
Pedras e Minérios
Pedras: Pérola, Água Marinha, Lápis-Lazúli, Calcedônia, Turquesa, Diamante, Madrepérola, Zircão, Quartzo Azul, Topázio Azul e pedras azuis em geral. Dia indicado para consagrar: domingo. Hora indicada: 10 horas.
Minério: Platina. Dia indicado para a consagração: sábado. Hora indicada: 12 horas.
Metal Prata, Cobalto e Chumbo.
(Observação: A maior parte da Prata é um subproduto da mineração de Chumbo e está frequentemente associada ao Cobre. Dentre os metais, é a que mais conduz corrente elétrica, superando o Cobre e o Ouro.)
Saúde
1-Psiquismo e Sistema Nervoso- quadros ligados às emoções, que sempre são relacionadas ao elemento água e às influências da Lua e de Netuno, planetas associados ao Orixá Yemanjá.
2-Porque Yemanjá é a Regente do Sentido da Geração e da Vida, ligado ao Chakra Básico, também estão envolvidos a coluna vertebral, os rins, o aparelho reprodutor e os membros inferiores e alguns músculos.
As musculaturas que podem ser atingidas por um bloqueio nessa região são: glúteos, diafragma pélvico, músculos internos da barriga e da região lombar (abdominais, lombares, lombo sacrais e glúteos médios).
Pessoas com estes bloqueios podem apresentar hemorróidas, dores lombares, tensão nas pernas e pés, problemas nos aparelhos urogenitais e dificuldades sexuais.
Planeta Lua e Netuno.
Dia da Semana
Na Umbanda, os dias da semana consagrados a Yemanjá são a 2ª feira (regência da Lua) e a 6ª feira (dia de Vênus e de Netuno; sendo que o planeta Netuno, “o Deus dos mares”, está diretamente associado a Yemanjá e à Linha dos Marinheiros).
No Culto de Nação e no Candomblé, no geral, Yemanjá tem como dia da semana o sábado. Alguns lhe dedicam a 6ª feira. 
Elemento
Seu 1º Elemento de atuação é a Água e o 2º elemento é o Cristal.
Chakra Básico (ligado ao Sentido da Geração).
O chakra Básico (ou Raiz) fica na base da coluna vertebral, logo acima dos órgãos reprodutores. Dá sustentação aos demais chakras. Posição vertical, ele se abre para baixo, formando um eixo magnético com o chakra da Coroa.
Abrange: Alimentação, equilíbrio, saúde e finanças. Pode solucionar grande parte dos problemas comuns no ser humano.
Importância deste chakra: Ligado às glândulas supra-renais, é o responsável pela absorção da Kundalini (energia da terra) e pelo estímulo direto da energia no corpo e na circulação do sangue. Está muito ligado às sensações físicas e diretamente relacionado com os membros inferiores e os instintos físicos. Atua na irrigação dos órgãos sexuais.
Por meio dele é que entram as energias que nos conectam com a terra e com o mundo exterior.  Ligação com a terra, com o bem-estar físico, com o instinto de sobrevivência, com a vitalidade e com a sexualidade.
Está diretamente ligado à vontade: ele nos dá motivação e energia para agir, fazer, realizar, ganhar nosso sustento, enfrentar obstáculos etc.
Na época atual, encontra-se passivo, na maioria dos indivíduos, pois só entra em atividade por um ato de vontade dirigida e controlada pelo iniciado. Por que isso? Porque o chakra Básico responde ao aspecto vontade.
Da mesma forma que o princípio “vida” está situado no coração, o princípio da “vontade” está situado no chakra Básico, na base da coluna.
Seu principal aspecto é a inocência, qualidade pela qual experimentamos a alegria pura, infantil, sem as limitações do preconceito e dos condicionamentos, e que nos dá dignidade, equilíbrio e um enorme senso de direção e propósito na vida. É apenas simplicidade, pureza e alegria.
No chakra Básico se unem matéria e espírito e a Vida se relaciona com a forma.  É o chakra onde a "serpente de Deus" (Energia Divina) experimenta duas transformações: 1- A “serpente da matéria” permanece enrolada sobre si mesma, e se transforma na "serpente da sabedoria" quando despertamos nossa consciência de filhos de Deus; 2-A “serpente da sabedoria” sobe ao longo da coluna, até chegar ao topo da cabeça, no chakra da Coroa, e então se converte no "dragão de luz vivente", quando passamos a viver conectados com a Luz.
Essas etapas são nutridas pela Energia que flui através da coluna vertebral, por intermédio do cordão vertical (eixo magnético) que se forma do chakra Coronário ao chakra Básico.
Esta é uma representação da energia kundalini, uma Energia Divina que vem da Terra, que é básica para a nossa existência, e que desperta quando tomamos consciência de que somos espíritos imortais vivendo importantes experiências na carne. Ao tomarmos consciência da nossa origem Divina, a kundalini desperta e nos traz o prazer de viver, gratidão pela Vida etc. Então ela sobe pela coluna vertebral, até chegar ao chakra da Coroa, onde se encontra com as Energias que vêm do Alto (“as Energias do espírito”).
Cor de vibração do chakra Básico: vermelho.
Desequilíbrios neste chakra podem ser tratados com o uso de velas e demais elementos ligados a Yemanjá, a Divina Regente deste nosso centro de forças.
Saudação Odô iyá, Odô Fiaba, Odôyabá! Odoyá Omi Ô! Odô cyaba!
Bebida Champanhe branco, água mineral, calda de ameixa, calda de pêssego, “água de arroz” (deixar o arroz de molho em água mineral e depois utilizar essa água), água do cozimento da canjica.
Número Na Umbanda, Yemanjá é associada ao número 8.
Data Comemorativa
Em algumas Casas: 02 de fevereiro, sincretizada com Nossa Senhora das Candeias (ou da Luz) ou com Nossa Senhora dos Navegantes;
Em outras: 08 de dezembro, sincretizada com Nossa Senhora da Conceição.
Quando sincretizada com Nossa Senhora da Glória, é festejada em 15 de agosto, data em que a Igreja Católica festeja a Ascensão ou Assunção (subida aos céus) da Virgem Maria.
Sincretismo
Nossa Senhora das Candeias (ou da Luz); Nossa Senhora da Conceição dos Navegantes; Nossa Senhora da Glória (nome que se dá à Virgem Maria pela sua Ascensão ou Assunção aos Céus; sendo que Maria é a Mãe, dentro da liturgia Católica).
Incompatibilidades
No Culto de Nação e no Candomblé, observam-se algumas proibições (euós ou quizilas) em relação ao Orixá Yemanjá: quiabo, feijão, peixe de pele; ataré (pimenta da costa). Para algumas Qualidades de Yemanjá, o dendê também é uma proibição. Tais elementos não podem ser a Ela ofertados.
Seus filhos e filhas de santo não podem consumir esses e também os seguintes alimentos:
1-de origem animal: a cabeça da galinha de angola; arraia; camarão vermelho; caranguejo; lula; peixes de pele; peixes vermelhos; sangue de animais;
2-de origem vegetal: inhame; uva branca; tangerina; banana-figo (muito parecida com a banana da terra, porém menor e com um teor de açúcar mais baixo); carambola; abóbora. (Fonte: “Culto aos Orixás, Voduns e Ancestrais nas Religiões Afro-brasileiras”, org. Carlos Eugênio Marcondes de Moura, Editora Pallas, 2004, páginas 48 e 190/193.)
Qualidades
Teoricamente, haveria 16 Qualidades de Yemanjá, mas o número geralmente encontrado é superior: Iemowo, Iamassê, Iewa, Olossa, Ogunté, Assabá, Assessu (ou Sessu ou Iyasessu), Sobá, Tuman, Ataramogba, Masemale, Awoió, Kayala, Marabô, Inaiê, Aynu, Susure, Iyaku, Acurá, Maialeuó, Conlá.
2-Na Bahia e em Cuba se diz que há uma Yemanjá, filha de Olokun, à qual se chega por sete caminhos. Daí falar-se em sete Yemanjás; sendo que cada nome diz respeito ao ponto da natureza onde a Divindade se encontra.
Segundo Lydia Cabrera, Antropóloga e Poeta cubana que viveu de 20 de maio de 1899 a 19 de setembro de 1991 e que é considerada uma autoridade em cultura afro-cubana, os sete nomes, sete caminhos ou sete Qualidades de Yemanjá e suas características são estas:
Iemowô, que na África é a mulher de Oxalá;
Iamassê, mãe de Xangô;
Euá (ou Yewá)- Rio que na África corre paralelo ao rio Ògùn;
Olossá, a lagoa na qual deságua o rio Ògùn;
Yogunté ou Ogunté, casada com Ogun Alagbedé. É uma amazona terrível; traz na cintura o facão e os outros instrumentos de ferro de Ogun. Adora carneiro e não tolera pato;
Assabá- Está sempre fiando algodão. Tem um olhar insustentável; é muito orgulhosa, e somente escuta dando as costas ou ficando ligeiramente de perfil. Usa uma corrente de prata amarrada no tornozelo. Foi mulher de Orumilá, que aceitava seus conselhos com respeito;
Assessú- É voluntariosa, muito séria e respeitável. Vive em águas agitadas. Gosta de comer pato. Muito lenta ao escutar os pedidos dos fiéis, esquece-os; e se põe a contar as penas do pato que lhe deram como oferenda. Quando se engana no cálculo, ela recomeça, e a operação se prolonga indefinidamente.
Fonte: Sete Porteiras


Divindades assemelhadas:
Tétis - Divindade grega que forma com Oceano um casal de Titãs, filhos de Urano e Géia. Tétis e Oceano são as primeiras Divindades Marinhas, das quais os outros deuses ou deusas do mar são descendentes. É a primeira Mãe do Mar, das águas primordiais.
Hera - Divindade grega. Entre os romanos era Juno. A esposa mais ciumenta de Zeus, cujo casamento era o mais sagrado, mostrando a importância da união. Deusa do casamento e do parto.
Nereidas - Divindades gregas. Filhas de Nereu com Dóris, a Oceânida. São 50 Nereidas, todas Divindades Marinhas.
Sereias Gregas - Divindades gregas que trazem o dom para a música, o canto e o manejo da lira e da flatua, o que traz semelhança com as musas gregas. Com frequência, aparecem como filhas de Aquelóo (“Deus-rio”, filho de Oceano e Tétis).
Parvati - Divindade hindu, consorte de Shiva e mãe de Ganesha. É a Mãe Divina em todos os aspectos.
Aditi - Divindade hindu. Mãe dos deuses, no Rig-veda (1500-1000 a.C.). Mãe do deus do sol (Mitra), do deus da verdade e da ordem universal (Varuna) e também de Indra (o Rei dos deuses).
Danu - Divindade celta, consorte de Bile (ou Beli). É a “Água do Céu”, a grande Mãe. Do seu nome vem a origem do Rio Danúbio, onde primeiro surgiram as raízes da cultura celta.
Mut - Divindade egípica. “A mãe”, em Karnak. (*Observação: MUT era esposa de AMON, deus que ocupava a principal edificação do Templo de Karnac, construído entre 2200 a.C. e 360 a.C. Este Templo de Karnak era o principal local de culto aos deuses de Tebas, entre os quais se destacavam: Amon, Mut e Khonsu. Até o fim da civilização egípcia, Karnak se manteve como centro religioso do Império: Amon-Ra (a forma solarizada do deus Amon) e seus sacerdotes adquirem então um poder prodigioso, que chegou a ameaçar a própria instituição faraônica.)
Aruru - Divindade babilônica. Um dos nomes da Grande Deusa Mãe na mitologia babilônica.
Namur - Divindade-Mãe sumeriana, mãe de Enki e Ereshkigal. Deusa dos Mares, que criou o céu e a terra e gerou várias Divindades, quando a terra foi arrebatada ao céu.
Belet Ili - Divindade sumeriana, “Senhora de todos os deuses”, Grande Deusa Mãe. Consorte de Enki. Divindade do útero e das formas. Ela criou inicialmente sete homens e sete mulheres que, com o tempo, se tornaram a civilização conhecida.
Nanshe - Divindade-Mãe sumeriana festejada com procissões de barcos, nas quais eram depositadas suas oferendas a serem entregues no mar.
Frigga - Divindade nórdica, a Grande Mãe da maioria dos deuses, uma das três esposas de Odin. Frigga é o aspecto Mãe; enquanto Freyja é o aspecto sensual, donzela.
Belat - Divindade caldéia, esposa de Bel. É a “Mãe dos Grandes Deuses” e “Senhora da Cidade de Nipur”.
Coatlicue - Divindade asteca, Mãe de todas as outras divindades. Usa uma saia de serpente e é também Senhora da vida e da morte. Também adorada como Mãe da Terra.
Yngona - Divindade dinamarquesa, é a Grande Mãe.
Mama Cocha - Divindade inca. Cultuada não apenas pelos incas, mas por muitas outras tribos e culturas. É a Mãe do Mar e Senhora dos peixes.
Mariamma - Divindade hindu, Senhora do Mar e de tudo o mais que ele representa e traz de benefícios para nós.
Marah - Divindade caldéia, Senhora das águas salgadas, Mãe que vem do mar.
Derketo - Divindade assíria, aparece como sereia. Senhora da Lua e da noite, protetora dos animais que habitam o mar.
Mari Ama - Divindade escandinava do mar.
Ilmatar - Divindade finlandesa da água, Grande Mãe criadora que está na origem de tudo.
Annawan - Divindade indonésia do Mar.
Bachue - Divindade colombiana dos índios Chibchas. Seu nome significa “grandes seios”. Junto com seu filho, Ela criou a humanidade.
(Fonte: “Deus, “Deuses” e Divindades, Alexandre Cumino, Madras Editora, 2004, páginas 127/130.)

By Pat Kovacs - patkovacs.blogspot.com
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