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quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Buda e Jesus

Tanto Gautama (Buda) como Jesus não se uti­lizam, em sua pregação, de uma língua sacra que se tornou incompreensível (sânscrito – hebraico), mas sim da língua vulgar (dialeto indo-ariano – língua aramaica do povo).

Nem um nem outro codificou nem mesmo che­gou a lançar por escrito sua doutrina.

Tanto Gautama co­mo Jesus apelam para a razão e para o entendimento do homem – não por meio de exposição e palestras sis­temáticas, mas sim com auxílio de provérbios, narrativas breves e parábolas simples, que todos são capazes de entender, tiradas da vida cotidiana comum e acessíveis a qualquer um, sem se prenderem a fórmulas, dogmas ou mistérios.

Tanto para Gautama como para Jesus a grande tentação é representada pela ganância, pelo poder e pela cegueira.

Nem Gautama nem Jesus são legitimados por qualquer cargo, ambos se opõem à tradição religiosa e seus guardiões, à casta ritual-formalista dos sacerdotes e doutores da lei, que não demonstram sensibilidade para com os sofrimentos do povo.

Tanto Gautama como Jesus logo reúnem amigos íntimos em torno de si, um círculo de discípulos e um grupo mais amplo de seguidores.

E não é apenas em sua conduta, mas também em sua pregação, que se manifesta uma semelhança básica:

. Tanto Gautama como Jesus apresentam-se como mestres. A autoridade de um e de outro estriba-se não tanto na formação escolar, mas sim muito mais na extra­ordinária experiência de uma realidade inteiramente diferente.

. Tanto Gautama co­mo Jesus apresentam uma importante mensagem de alegria (o darma – o evan­gelho) que exige das pes­soas uma mudança de ati­tude (metanóia: “andar con­tra a corrente”) e uma confiança (shraddha: “fé”). Não se trata de uma ortodoxia, mas sim de uma ortopraxia!

. Nem Gautama nem Jesus pretendem dar uma explicação do mundo ou pôr em prática especulações filosóficas profundas ou uma casuística legal erudita. Suas doutrinas não são revelações secretas, não visam também a uma determinada ordem jurídica nem a determinadas condições jurídicas e políticas.

. Tanto Gautama como Jesus partem da condição provisória e efêmera do mundo, do caráter transitório de todas as coisas e da não redenção do homem. Tudo isto se evidencia na cegueira e na loucura, na situação caótica, no envolvimento com o mundo e na falta de amor para com os semelhantes.

. Tanto Gautama como Jesus apontam um caminho para liberar do egoísmo, da dependência do mundo, da cegueira – libertação essa que se alcança não pela espe­culação teórica nem pelo raciocínio filosófico, mas sim por uma experiência religiosa e por uma transformação interior. Um caminho muito prático para a salvação.

. Para se chegar a essa salvação, nem Gautama nem Jesus exigem condições es­pe­ciais de caráter intelectual, moral ou ideológico. Basta que o homem ouça, entenda e daí tire suas conclusões. Ninguém é interrogado por sua verdadeira fé, nem se exige nenhuma declaração de ortodoxia.

. O caminho tanto de Gautama como de Jesus é o caminho do meio-termo entre os extremos do prazer dos sentidos e da autopunição, entre o hedonismo e o ascetismo. Um caminho que permite que o homem se volte para o próximo com uma nova atitude de acolhimento! Não apenas os mandamentos gerais para todos – não matar, não mentir, não furtar, não praticar luxúria – se correspondem amplamente em Buda e em Jesus, mas também, em príncipio, as exigências básicas de bondade e de alegria compartilhada, de compaixão amorosa, (Buda) e de amor compassivo (Jesus).

Mas os paralelos entre os caminhos de salvação budista e cristão não se restringem às figuras dos fundadores. Evidenciam-se também em certos desenvolvimentos que vieram mais tarde, sobretudo no monasticismo.

TEXTO EXTRAÍDO DO LIVRO RELIGIÕES DO MUNDO – HANS KUNG – EDITORA VERUS – 2004 – E EDITADO POR ALEXANDRE CUMINO, PARA O JORNAL DE UMBANDA SAGRADA, SETEMBRO DE 2008

terça-feira, 6 de novembro de 2012

A mediunidade e Jesus



Mediunidade no tempo de Jesus

Paulo da Silva Neto Sobrinho

“Se alguém julga ser profeta ou inspirado pelo Espírito, reconheça um mandamento do Senhor nas coisas que estou escrevendo para vocês” (PAULO, aos coríntios).

Introdução

A mediunidade é uma faculdade humana que consiste na sintonia espiritual entre dois seres. Normalmente, a usamos para designar a influência de um Espírito desencarnado sobre um encarnado, entretanto, julgamos que, acima de tudo, por se tratar de uma aquisição do Espírito imortal, pouco importa a situação em que se encontram esses dois seres, para que se processe a ligação espiritual entre eles.

É comum que ataques ao Espiritismo ocorram por conta desse “dom”, como se ele viesse a acontecer exclusivamente em nosso meio. Ledo engano, pois, conforme já o dissemos, é uma faculdade humana, e assim sendo, todos a possuem, variando apenas quanto ao seu grau.

Os detratores querem, por todos os meios, fazer com que as pessoas acreditem que isso é coisa nova, mas podemos provar que a mediunidade não é coisa nova e que até mesmo Jesus dela pode nos dar notícias. É o que veremos a seguir.

A mediunidade e Jesus

Quando Jesus recomenda a seus doze discípulos a divulgação de que o “reino do Céu está próximo” fica evidenciado, aos que estudaram ou vivenciam esse fenômeno, que o Mestre estava falando mesmo era da faculdade mediúnica. Entretanto, por conta dos tradutores ou dos teólogos, essa realidade ficou comprometida no texto bíblico. Entretanto, como é impossível “tapar o sol com uma peneira”, podemos perfeitamente identificá-la, apesar de todo o esforço para escondê-la.

O evangelista Mateus narra o seguinte:

“Eis que eu envio vocês como ovelhas no meio de lobos. Portanto, sejam prudentes como as serpentes e simples como as pombas. Tenham cuidado com os homens, porque eles entregarão vocês aos tribunais e açoitarão vocês nas sinagogas deles. Vocês vão ser levados diante de governadores e reis, por minha causa, a fim de serem testemunhas para eles e para as nações. Quando entregarem vocês, não fiquem preocupados como ou com aquilo que vocês vão falar, porque, nessa hora, será sugerido a vocês o que vocês devem dizer. Com efeito, não serão vocês que irão falar, e sim o Espírito do Pai de vocês é quem falará através de vocês”. (10,16-20).

A primeira observação que faremos é que por ter tentado a Eva, dizem que a serpente seria o próprio satanás, entretanto, isso fica estranho, porquanto o próprio Jesus nos recomenda sermos prudentes como as serpentes. Esse fato demonstra que tal associação é apenas fruto do dogmatismo que só produz o fanatismo religioso.

Essa fala de Jesus é inequívoca quanto ao fenômeno mediúnico: “não fiquem preocupados como ou com aquilo que vocês vão falar, porque, nessa hora, será sugerido a vocês”, e arremata: “Com efeito, não serão vocês que irão falar, e sim o Espírito do Pai de vocês é quem falará através de vocês”. A tentativa de esconder o fenômeno fica por conta da expressão “o Espírito do Pai”, quando a realidade é “um Espírito do Pai” a mudança do artigo indefinido para o artigo definido tem como objetivo principal desvirtuar a fenomenologia em primeiro plano e em segundo, mais um ajuste de texto bíblico para apoiar a trindade divina copiada dos povos pagãos.

O filósofo e teólogo Carlos Torres Pastorino abordando a questão da mudança do artigo, diz:

“...Novamente sem artigo. Repisamos: a língua grega não possuía artigos indefinidos. Quando a palavra era determinada, empregava-se o artigo definido ‘ho, he, to’. Quando era indeterminada (caso em que nós empregamos o artigo indefinido), o grego deixava a palavra sem artigo. Então quando não aparece em grego o artigo, temos que colocar, em português, o artigo indefinido: UM espírito santo, e nunca traduzir com o definido: O espírito santo”. (Sabedoria do Evangelho, volume 1, pág 43).

Se sustentarmos a expressão “o Espírito do Pai” teremos forçosamente que admitir que o próprio Deus venha a se manifestar num ser humano. Pensamento absurdo como esse só pode ser pela falta de compreensão da grandeza de Deus. Dizem os cientistas que no cosmo há 100 bilhões de galáxias, cada uma delas com cerca de 100 bilhões de estrelas, fazendo do Universo uma coisa fora do alcance de nossa limitada imaginação, mas, mesmo que a custa de um grande esforço, vamos imaginar tamanha grandeza. Bom, façamos agora a pergunta: o que criou tudo isso? Diante disso, admitir que esse ser possa estar pessoalmente inspirando uma pessoa é fora de proposto, coisa aceitável a de povos primitivos, cujos conhecimentos não lhes permitem ir mais longe, por restrição imposta pelo seu hábitat.

A mediunidade no apostolado

Um fato, que reputamos como de inquestionável ocorrência da mediunidade, aconteceu logo depois da morte de Jesus, quando os discípulos reunidos receberam “como que línguas de fogo” e começaram a falar em línguas, de tal sorte que, apesar da heterogeneidade do povo que os ouvia, cada um entendia o que falavam em sua própria língua. Fato extraordinário registrado no livro Atos dos Apóstolos, desta forma:

“Quando chegou o dia de Pentecostes, todos eles estavam reunidos no mesmo lugar. De repente, veio do céu um barulho como o sopro de um forte vendaval, e encheu a casa onde eles se encontravam. Apareceram então umas como línguas de fogo, que se espalharam e foram pousar sobre cada um deles. Todos ficaram repletos do Espírito Santo, e começaram a falar em outras línguas, conforme o Espírito lhes concedia que falassem. Acontece que em Jerusalém moravam judeus devotos de todas as nações do mundo. Quando ouviram o barulho, todos se reuniram e ficaram confusos, pois cada um ouvia, na sua própria língua, os discípulos falarem”. (Atos 2, 1-6).

Aqui podemos identificar o fenômeno mediúnico conhecido como xenoglossia, que na definição do Aurélio é: A fala espontânea em língua(s) que não fora(m) previamente aprendida(s). Mas, como da vez anterior, tentam mudar o sentido, para isso alteram o artigo indefinido para o definido, quando a realidade seria exatamente que estavam “repletos de um Espírito santo (bom)”.

Fato semelhante aconteceu, um pouco mais tarde, nomeado como o Pentecostes dos pagãos:

“Pedro ainda estava falando, quando o Espírito Santo desceu sobre todos os que ouviam a Palavra. Os fiéis de origem judaica, que tinham ido com Pedro, ficaram admirados de que o dom do Espírito Santo também fosse derramado sobre os pagãos. De fato, eles os ouviam falar em línguas estranhas e louvar a grandeza de Deus...” (At 10, 44-46).

Episódio que confirma que “Deus não faz acepção de pessoas” (At 10,34), daí podermos estender à mediunidade como uma faculdade exclusiva a um determinado grupo religioso, mas existindo em todos segmentos em suas expressões de religiosidade.

A mediunidade como era “transmitida”

A bem da verdade não há como ninguém transmitir a mediunidade para outra pessoa, entretanto, pelos relatos bíblicos, a imposição das mãos fazia com que houvesse sua eclosão, óbvio que naqueles que a possuíam em estado latente. Vejamos algumas situações em que isso ocorreu.

Em Atos 8, 17-18:

“Então Pedro e João impuseram as mãos sobre os samaritanos, e eles receberam o Espírito Santo. Simão viu que o Espírito Santo era comunicado através da imposição das mãos. Dêem para mim também esse poder, a fim de que receba o Espírito todo aquele sobre o qual eu impuser as mãos”.

Simão era um mago que, com suas artes mágicas, deixava o povo da região de Samaria maravilhado. Mas, ao ver o “poder” de Pedro e João, ficou impressionado com o que fizeram, daí lhes oferece dinheiro a fim de que dessem a ele esse poder, para que sobre todos os que ele impusesse as mãos, também recebessem o Espírito Santo.

Em Atos 19, 1-7:

“Enquanto Apolo estava em Corinto, Paulo atravessou as regiões mais altas e chegou a Éfeso. Encontrou aí alguns discípulos, e perguntou-lhes: ‘Quando vocês abraçaram a fé receberam o Espírito Santo?’ Eles responderam: ‘Nós nem sequer ouvimos falar que existe um Espírito Santo’. Paulo perguntou: ‘Que batismo vocês receberam?’ Eles responderam: ‘O batismo de João’. Então Paulo explicou: ‘João batizava como sinal de arrependimento e pedia que o povo acreditasse naquele que devia vir depois dele, isto é, em Jesus’. Ao ouvir isso, eles se fizeram batizar em nome do Senhor Jesus. Logo que Paulo lhes impôs as mãos, o Espírito Santo desceu sobre eles, e começaram a falar em línguas e a profetizar. Eram, ao todo, doze homens”.

Será que podemos entender que o batismo de Jesus é “receber o Espírito Santo”, conseguido pela imposição das mãos? A narrativa nos leva a aceitar essa hipótese, apenas mantemos a ressalva feita anteriormente quanto à expressão “o Espírito Santo”.

A mediunidade como os dons do Espírito

Na estrada de Damasco, Paulo, que até então perseguia os cristãos, numa ocorrência transcendente, se encontra com Jesus, passando, a partir daí, a segui-lo. Durante o seu apostolado se comunicava diretamente com o Espírito de Jesus, demonstrando sua incontestável mediunidade.

Aliás, o apóstolo Paulo foi quem mais entendeu do fenômeno mediúnico, tanto que existem recomendações preciosas de sua parte aos agrupamentos cristãos de então. Ele o chamava de “dons do Espírito”. “Sobre os dons do Espírito, irmãos, não quero que vocês fiquem na ignorância” (1Cor 12,1), mostrando-se interessado em que todos pudessem conhecer tais fenômenos.

E esclarece o apóstolo dos gentios:

“Existem dons diferentes, mas o Espírito é o mesmo; diferentes serviços, mas o Senhor é o mesmo; diferentes modos de agir, mas é o mesmo Deus que realiza tudo em todos. Cada um recebe o dom de manifestar o Espírito para a utilidade de todos. A um, o Espírito dá a palavra de sabedoria; a outro, a palavra de ciência segundo o mesmo Espírito; a outro, o mesmo Espírito dá a fé; a outro ainda, o único e mesmo Espírito concede o dom das curas; a outro, o poder de fazer milagres; a outro, a profecia; a outro, o discernimento dos espíritos; a outro, o dom de falar em línguas; a outro ainda, o dom de as interpretar. Mas é o único e mesmo Espírito quem realiza tudo isso, distribuindo os seus dons a cada um, conforme ele quer”. (1 Cor 12,4-11).

Novamente, mudando-se “o Espírito” para “um Espírito”, estaremos diante da faculdade mediúnica, basta “ter olhos de ver”.

Conclusão

Como apregoa a Doutrina Espírita o fenômeno mediúnico nada mais é que uma ocorrência de ordem natural. Podemos identificá-lo desde os mais remotos tempos da humanidade, e não poderia ser diferente, pois, em se tratando de uma manifestação de uma faculdade humana, deverá ser mesmo tão velha quanto a permanência do homem aqui na Terra.

Mas, infelizmente, a intolerância religiosa, a ignorância e, por vezes, a má-vontade, não permitiu que fosse divulgada da forma correta, ficando mais por conta de uma ocorrência sobrenatural, que só acontecia a uns poucos privilegiados. Coube ao Espiritismo a desmistificação desse fenômeno, bem como a sua explicação racional. Kardec nos deixou um legado importantíssimo para todos que possam se interessar pelo assunto, quando lança O Livro dos Médiuns, que recomendamos aos que buscam o conhecimento dessa fenomenologia, ainda muito incompreendida em nossos dias.

Referência bibliográfica.

•PASTORINO, Carlos Torres, Sabedoria do Evangelho, volume 1, Revista Mensal Sabedoria, Rio, 1964.•Bíblia Sagrada, Edição Pastoral, Paulus, São Paulo, 43ª ed. 2001.

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Krishna: O Cristo do Oriente

Por Paramahansa Yogananda

Muitas são as histórias maravilhosas contadas sobre Jadava Krishna, o grande avatar e divino rei, que governou sobre Gujarat na antiga Índia.

Krishna veio à terra muito mais cedo que Jesus Cristo – mais ou menos três mil anos antes, conforme afirmam alguns eruditos – mas eles eram uno em espírito, ambos tendo atingido a Consciência Crística ou unidade com a onipresença de Deus imanente de cada átomo da criação.

Deste modo, eles podiam projetar suas consciências em cada ponto do cosmos, estando conscientes para ajudarem todos que estavam fisicamente longe deles. Mas além da grande concomitância espiritual demonstrada em suas vidas, havia entre eles também muitas similaridades pessoais.

Ambos nasceram de pais fervorosos à Deus. A mãe de Krishna e seu pai foram perseguidos por seu perverso tio, o rei Kansa, assim como o rei Herodes atormentou os pais de Jesus.

Jesus foi comparado a um bom pastor de Deus; Krishna durante sua infância, escondendo-se de Kansa, cuidou de novilhas.

Jesus venceu Satanás; Krishna venceu o demônio Kaliya. Satanás e Kaliya representam o mal, ou a ignorância de Deus.

Jesus parou uma tempestade no oceano e salvou o barco de seus discípulos; Krishna impediu seus devotos e seus respectivos rebanhos de afogarem-se numa terrível inundação, levantando o monte Gowardhan sobre eles, como um guarda-chuva.

Jesus era chamado “Rei dos Judeus”, embora seu reino não fosse deste mundo; Krishna era tanto rei terreno como divino.

O destino de ambos foi profetizado nas escrituras, e ambos foram mortos por grupos desorientados: Krishna foi ferido mortalmente por uma flecha de um caçador, e Jesus foi crucificado por aqueles que ignoravam sua divindade.

Estes dois avatares – ambos orientais – são comumente reconhecidos no oriente e ocidente como supremas encarnações de Deus.

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Jesus e a Umbanda

O CRISTO

O Cristo simboliza o ponto em que Deus e o Homem se tornam um só. É o símbolo da união divina. Neste ponto o homem está completamente livre da prisão da matéria e da roda das sucessivas reencarnações. Cristo e Buda possuem o mesmo significado filosófico. Sendo que um surgiu nos extremos orientais hindus e o outro entre os místicos hebreus, que pregavam o Merkabah (carruagem) que era a carruagem que levava o homem ao encontro de Deus.

O Judaísmo sempre foi muito complexo e em sua sociedade existem várias escolas, pregando as mais diversas filosofias. Cada grupo influenciado por várias outras correntes da palestina: Mitraismo, Zoroastrismo, Osiris, Horus, Helenismo, Romanismo, Hinduismo, Gnostico, etc. Havia também os que pregavam a aplicação literal das escrituras. Entre estas escolas estão os Essênios, fariseus e saduceus. Cada grupo deste subdivido em vários outros subgrupos. Cada um pregando uma forma de conduta, da mais permissiva às mais revolucionarias.

Havia nas escrituras uma referência a um Cristo, um Messias, pregado nas profecias de Daniel e de Isaias. Sobre a figura deste mítico Messias pairavam as mais diversas especulações: para uns seria um líder revolucionário que livraria os Judeus do jugo de seus inimigos Romanos e governaria o Reino de Israel de forma Justa. Para outros tratava-se de um líder místico, o Buda Judaico. Provavelmente, os Cristãos Primitivos nasceram desta idéia, de acordo com os Manuscritos de Qunram. Desta escola eram os Essênios e suas variantes: Hassidins, Terapeutas, Zelotes, etc.

Havia grupos que também acreditavam no meio termo: O Cristo Místico e o Messias Revolucionário, um rei-sacerdote, que livraria Israel de seus inimigos pela força. Indícios nos levam a crer que o Homem que ganhou o nome de Jesus, o filho do homem, de acordo com o profeta Daniel, foi um líder místico de uma destas escolas e que desagradou às tendências judaicas mais permissivas e mancomunadas com os Romanos, além do próprio governo romano.

O Homem (Jesus) é o Cristo por excelência para nós, pois é o Governador do Planeta Terra, o Logos Planetário, Espírito Puro, já chegado à condição crística, unindo-se ao Seu Deus e Criador e cooperando com Ele na obra da criação, manutenção e transformação.

De acordo com os ensinamentos de Jesus, o Homem pode se tornar um filho de Deus, como o Cristo ou o Logos (o Verbo) Gnóstico. O Filho de Deus é o Grau máximo da União Divina, que é a verdadeira natureza da condição humana. Por isso está escrito que Tomé (o gêmeo) perguntou a Jesus como conhecer o caminho para também ser uno com Deus, ele respondeu: Eu sou o caminho, a verdade e a vida, ninguém vem ( verbo indicando que ele já está ao lado do Pai) ao Pai a não ser por mim. Isso quer dizer que o comportamento justo, digno, humanitário e social é o caminho da união com Deus. Esse mesmo caminho que tantas filosofias religiosas sérias pregam. Como a Umbanda, o Budismo, Hinduismo, etc... Não é a religião que leva ao Pai e sim o comportamento, a postura humana que eleva o ser humano.

Na Umbanda, a figura do Cristo místico, uno com o Pai, com toda sua bagagem filosófica cristã, é base essencial de sua Doutrina. Jesus é, para o Umbandista, o Filho de Deus, que como Governador, Cristo Planetário da Terra, derrama de Suas mãos amorosas as 07 Vibrações Sagradas e Divinas, com suas regências e hierarquias. Ele, o Senhor Jesus Cristo reflete diretamente sua Luz sobre a Vibração Eólica, que irradia a Fé e a Religiosidade no nosso Planeta. Não se deve confundir Oxalá, regente da Vibração Eólica da Fé, com Jesus, o Cristo Senhor, Divino Senhor da Luz, por isso muitas vezes também chamado de Divino Oxalá. Oxalá é o Orixá do ar e está presente em toda parte. A condição humana a que Oxalá está ligado é a sabedoria, a paciência, a paternidade. O nome Oxalá significa literalmente Senhor do Branco. Jesus e Oxalá não são a mesma Entidade. Enquanto um é a irradiação do Trono Divino da Fé para o Planeta Terra,  Jesus é o Cristo Cósmico, o Verbo de Deus, Governador do Planeta e Logos Planetário da Terra. Sendo, abaixo de Deus, o Senhor Absoluto do nosso Planeta e de todos os espíritos encarnados e desencarnados aqui existentes, conduzindo-os pelos patamares da evolução.

Sua encarnação na Terra como Jesus de Nazaré visou precisamente nos ajudar na subida dessa íngreme escada evolutiva em direção da felicidade suprema em Deus. Por isso o nosso Cristo, em Jesus de Nazaré, tornou-se nosso Mestre Divino.

A importância da filosofia cristã para a Umbanda é fundamental e está na base de suas raízes, pois nos leva ao amor e respeito a Deus, à natureza e ao semelhante, bem como a ajuda ao próximo. Atributos essenciais para o bem viver social. Isso é o que permite que, apesar da imensa variedade de vivências e formas de entender e trabalhar na umbanda, nenhuma delas perde o essencial, que une todas em torno da sua finalidade, que é a sua essência: Caridade, equilíbrio, fraternidade e paz da religião.

Na Umbanda, religião espiritualista por natureza, Jesus é o Mestre espiritual, nosso modelo de espírito consciente de suas responsabilidades e deveres para com o bem comum. É o símbolo vivo, dinâmico da espiritualidade, e sua presença na Umbanda é vital para conhecermos o caminho, a verdade e a vida, através de sua filosofia deixada e encontrada facilmente nos Evangelhos. A Umbanda não é Catolicismo, mas é Cristã, já que a figura de Cristo é essencial aos nossos ideais espirituais de trabalho.

Jesus é o Mestre Maior do umbandista que está sempre no alto do Congá, olhando nossos trabalhos, nos ajudando e se deixando ver, para que saibamos que não estamos sozinhos e desassistidos da ajuda divina e que nossa missão é apresentar a todos a pessoa de Jesus e a Sua mensagem evangélica.

Pai Valdo (Sacerdote Dirigente do T. E. do Cruzeiro da Luz)

domingo, 24 de abril de 2011

FELIZ PÁSCOA NA PAZ DE CRISTO

(Evangelho Essenio da Paz, Extracto do quarto livro)

A Paz é o presente da Corrente da Vida para os Filhos da Luz. Em qualquer circunstância nós sempre nos cumprimentamos, “Que a Paz esteja contigo”. Mesmo como a relva cumprimenta o vosso corpo com o beijo da Paz. Digo-vos verdadeiramente, a Paz não é somente a ausência da guerra, pois rapidamente pode o pacífico rio transformar-se numa tormentosa corrente, e as mesmas ondas que acariciam o bote podem depressa parti-lo em pedaços contra as pedras. Assim a violência espreita esperando pelos Filhos dos Homens, quando eles não mantêm a vigília da Paz

Gostaria de vos falar da Paz. Para todos os Anjos do Pai Celeste, Paz é aquilo que o mundo mais aspira, tal como um bebé cansado deseja colocar a sua cabeça no peito da sua mãe. É a falta de Paz que arruina os reinos, mesmo quando eles não estão em guerra. A violência e o ambiente de guerra pode dominar num reino mesmo quando o som do bater das espadas não é ouvido. Embora nenhum exército marche contra outro, mesmo assim não há Paz quando os Filhos do Homem não caminham com os Anjos de Deus. Digo-vos verdadeiramente, muitos são aqueles que não conhecem a Paz, porque estão em guerra com o seu corpo; estão em guerra com os seus pensamentos; não estão em Paz com os seus pais, com as suas mães, os seus filhos; não estão em Paz com os seus amigos e vizinhos; não conhecem a beleza dos textos sagrados; não trabalham durante o dia no reino da sua Mãe Terra; nem dormem à noite nos braços do Pai Celeste. A Paz não reina dentro deles, para sempre a procuram desesperadamente o qual no fim só lhes traz miséria e dor, mesmo aqueles que possuem riqueza e fama, o qual satã usa para tentar os Filhos dos Homens; e eles vivem na ignorância da Lei, mesmo aquela Lei que nos dá vida: o caminho dos Anjos da Mãe Terra e do Pai Celeste.

"Como, podemos então nós levar a Paz aos nossos irmãos, Mestre?" perguntou um dos mais velhos, " pois nós gostaríamos que todos os Filhos dos Homens partilhassem as bênçãos do Anjo da Paz."

E Ele respondeu: "Verdadeiramente, somente aquele que está em Paz com todos os Anjos pode partilhar a luz da Paz com os outros. Desta forma, primeiro estejam em Paz com todos os Anjos da Mãe Terra e do Pai Celeste. Porque os ventos da tempestade sopram e agitam as águas do rio, e só a calmaria que se segue as pode acalmar outra vez. Tomem atenção quando o vosso irmão vos pede pão, que não lhe dêem pedras. Vivam primeiro em Paz com todos os Anjos, porque então a vossa Paz será uma fonte onde transborda ela própria dando, e quanto mais dão, mais ainda virão a dar, porque essa é a Lei.
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