quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Quem é Exu na Quimbanda?

Em sua origem africana, Exu é o interlocutor entre os homens e os deuses, conhecedor da linguagem dos dois mundos, vai ao sagrado levar o chamado dos seus filhos que se encontram no mundo profano. Se os homens necessitam do auxílio dos Orixás, Exu é este mensageiro encarregado da comunicação entre a África sagrada e o Brasil profano.

Os espíritos cultuados na Quimbanda são ancestrais que tiveram ligação com o culto, em sua maioria pertencente a grupos familiares do século XIX e início do século XX, tendo, muitas vezes, travado relações de sangue com as culturas nativas como os brancos europeus que se relacionavam com negras ou índias. Estes passaram a ser chamados de Exu - um equívoco linguístico certamente, visto que Exu é a divindade Nagô. E foi por causa do seu arquétipo que acabou sendo relacionado às nossas entidades, “emprestado”, por assim dizer, o seu nome, pela característica de ser irreverente e debochado, que desafiava a ordem e os dogmas da igreja. A verdadeira denominação que deveríamos utilizar para os espíritos cultuados seria "Kimbandas", pois assim eram conhecidos os chefes-feiticeiros das tribos tanto na África Bantu quanto no Brasil escravocrata. Estes se fizeram notar pelos trabalhos de magia, transes e pela capacidade de curar através de elementos naturais, que em suas mão adquiriam caráter magístico.

A ancestralidade é a chave para compreendermos o universo religioso e popular que se desenvolveu no Brasil, e é preciso voltar ao passado e compreender a miscigenação das raças e culturas que formaram nossa sociedade. Observando por esse ângulo fica mais fácil perceber que as nossas entidades não estão necessariamente vinculadas à mecanismos de evolução kármica, mas sim a algo bem mais óbvio – a relação ancestral.

A Quimbanda tem bases diferentes do espiritismo umbandista ou kardecista; na teologia quimbandeira não existe a evolução dos espíritos no sentido de passagens de graus ou de dimensões e os exus são tidos como ancestrais não apenas por terem vivido antes de nós, mas por serem, realmente, ligados ou à ascendência do médium ou à ascendência do culto/casa em que o mesmo é iniciado.

Trechos do texto extraídos e/ou adaptados de:

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

GIRA DE ACONSELHAMENTO COM O POVO CIGANO

Como muitas outras legiões de espíritos o Povo Cigano querem auxiliar encarnados e desencarnados no reencontro com o Amor Divino pelo caminho da evolução com Cristo.

Na Umbanda encontraram um caminho para trazerem a nós a mensagem evangélica de mudança, porém com seriedade e sem fantasias.

É vasta a atuação das Entidades Ciganas nos trabalhos nos Templos de Umbanda, a Gira dos Ciganos é uma festa, sempre com alto astral, músicas alegres e dança, ficando um misto de magia e encantamento no ar.

Ciganos podem manipular sua magia para ajudar nos romances verdadeiros, a prosperidade, a saúde física, emocional e espiritual, nas viagens, entre outras situações mas, auxiliam principalmente na evangelização.

Ao longo de sua caminhada nômade os Ciganos incorporaram à sua cultura o Cristianismo, principalmente Cristo e a Virgem Maria, da qual são muito devotos.

Os Ciganos nos atendimentos a assistência dos Templos, além do que já foi mencionado, também, como todo Guia de Umbanda, são excelentes ouvintes e conselheiros, sempre apontando uma saída para nossas dificuldades. Não são poucas as vezes, em que um bom conselho vale mais que qualquer trabalho de magia. É a magia da sabedoria de um povo de conhecimento milenar, que percorreu os quatro cantos do mundo, aprendeu e hoje nos ensina.
 
Fonte: Boletim informativo da Cabana Caboclo Rompe Mato, SP.

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

São Cosme e São Damião e Ibejis

Dia 27 de setembro, dia dedicado a São Cosme e Damião, por força do sincretismo a Umbanda homenageia a Linha de Ibejada.

Trata-se sempre de espíritos assumindo essa roupagem fluídica simbolizando e sinalizando para a pureza de vida e alegria de viver.

Enquanto a Vibração de Oxossi rege a Linha dos Caboclos desenvolvendo trabalhos de força ativa, cada Orixá, por sua vez, vibra no ritual umbandista pela incorporação de seus Mensageiros irradiadores de suas energias. As Entidades que se identificam com a Linha das Crianças têm seus trabalhos e mensagens regidos por Ibeji, Orixá polarizador do terceiro Raio com Ogum, daí serem denominados de Ibejadas. Embora a Linha das Crianças seja regida pela Vibração do Orixá Ibeji, cada Entidade, contudo, assumindo essa roupagem têm como Vibração pessoal, a vibração da Coroa do seu médium.

Muitas Entidades que atuam sob as vestes de um espírito infantil são muito antigas, e têm mais poder do que imaginamos em uma “criança”. Mas, como não são levadas muito a sério, o seu poder de ação, às vezes, fica oculto.

Foram, sincreticamente, identificados com Cosme e Damião, santos cristãos curadores que trabalhavam com a magia dos elementos, e como Ibêji, gêmeos encantados do Ritual Africano Antigo.

Trabalham com seu elemento de ação sobre o aconselhando, modificando e equilibrando sua vibração, regenerando os pontos de entrada de energia do corpo humano. Por isso são considerados curadores.

Na Umbanda, a “corrente” das crianças é formada por seres espirituais masculinos e femininos.

Mesmo sendo puros, não são tolos, pois identificam muito rapidamente nossos erros e falhas humanas. E não se calam quando em consulta, pois nos alertam sobre eles.

Eles manipulam as energias elementais e são portadores naturais de poderes só encontrados no próprio Orixá que os regem.

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

VIBRAÇÕES NUMA GIRA

VIBRAÇÕES NUMA GIRA

Palmas: Se cadenciadas e ritmadas, criam um amplo campo sonoro cujas vibrações agudas alcançam o centro da percepção localizada no mental dos médiuns. Com isso, os predispõem a vibrarem ordenadamente, facilitando o trabalho de reajustamento de seus padrões magnéticos.

Cantos: a Umbanda recorre aos cantos ritmados que atuam sobre alguns plexos, que reagem aumentando a velocidade de seus giros. Com isso, captam muito mais energias etéricas, que sutilizam rapidamente todo o campo mediúnico, facilitando a incorporação. Os pontos cantados são uma das primeiras coisas que afloram a quem vai a um terreiro de Umbanda pela primeira vez. Os pontos cantados são, dentro dos rituais, um dos aspectos mais importantes para se efetuar uma boa gira. São louvações e orações cantadas, para chegada dos Orixás e guias, também para descarga e limpeza fluídica, bem como para a subida dos Orixás e guias. Um verdadeiro ponto cantado nos atinge lá dentro do coração e da emoção, nos trazendo paz, fé, pela pureza e firmeza desses pontos maravilhosos.

Atabaque: As vibrações sonoras têm o poder de adormecer o emocional, estimulando a sensibilidade, modificando as irradiações energéticas, atuando sobre o padrão vibratório do médium, após esta mudança o mentor aproveita esta facilidade e adentra no campo eletromagnético, igualando-se ao padrão e fixando-o no mental de seu médium, direcionadamente. Em pouco tempo o médium, entra em sintonia magnética para a incorporação. Existem vários tipos de toques:

• suaves e cadenciados (renovação afetiva e amorosa);

• vibrantes (descarrega);

• sons alegres (predispostos ao bom humor)

Danças: A Umbanda recorre às “danças rituais” pois, durante seu transcorrer, os médiuns se desligam de tudo e se concentram intensamente numa ação onde o movimento cadenciado facilita seu envolvimento mediúnico. Nas “giras” (danças rituais), as vibrações médium-mentor se ligam de tal forma, que o espírito do médium fica entregue, já que é paralisado momentaneamente. No princípio, o médium pode sentir tonturas, mas estas reações cessam se a entrega for total. Nada é por acaso. Se o ritual de Umbanda optou pelo uso de atabaques, cantos e danças ritual, há todo um comando pelos senhores do alto dando amparo e sustentação.

terça-feira, 23 de julho de 2013

NANÃ BURUQUÊ

NANÃ BURUQUÊ

No mês de julho, especialmente o dia 26, a Umbanda se volta para homenagear e refletir sobre a presença deste Orixá que, no sétimo raio, age sobre o cosmo e sobre cada um de nós no sentido de decantar e purificar, nos convidando à maturidade e sabedoria.

“O Orixá Nanã rege sobre a maturidade e seu campo preferencial de atuação é o racional dos seres”. Atua decantando os seres, preparando-os para uma nova "vida", com mais equilíbrio e sabedoria.

A vibratória do Orixá Nanã Buruquê se manifesta no nosso Plano por meio da Força Sutil Hídrica, especialmente no seu contato com a Força Sutil Telúrica, ou seja, a àgua com a terra = lama. Na àgua da chuva, elemento hídrico purificador da atmosfera terrestre, encontramos essa Vibratória amável que, ao encontrar-se com o elemento terra forma a lama, decantadora e purificadora.

Nanã assume o papel de purificadora, decantando a natureza, seja através da chuva que purifica a atmosfera, seja através da lama e dos manguezais purificando a água, seja através das emoções ativas ou paralisadas, decantando e purificando os seres.

Age no psico emocional dos seres que, recebendo suas irradiações aquietam-se, sendo então chamados pela religiosidade ou entraves da vida (problemas, enfermidades) a silenciar, interiorizar, refletir, orar e amadurecer. Trata-se, portanto, de cantação completa dos vícios e desequilíbrios psico emocionais.
 
Nanã forma com Obaluayê o sétimo Raio de Umbanda, que é a linha da Evolução. E enquanto ele atua pelo seu poder transformador, ela atua na decantação e purificação dos seres, instaurando nas vidas a maturidade e a sabedoria.
 
Fonte: CABANA DO CABOCLO ROMPE MATO .

terça-feira, 16 de julho de 2013

Jornal Delfos

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terça-feira, 2 de julho de 2013

Algumas designações

Espírito Santo - falange dos Emissários da Providência que superintende os grandes movimentos da Humanidade na Terra e no Plano Espiritual.

Reino de Deus - estado de sublimação da alma, criado por ela própria, através de reencarnações incessantes.

Céu - esferas espirituais santificadas onde habitam Espíritos Superiores que exteriorizam, do próprio íntimo, a atmosfera de paz e felicidade.

Milagre - designação de fatos naturais cujo mecanismo familiar à Lei Divina ainda se encontra defeso ao entendimento fragmentário da criatura.

Mistério - parte ignorada das Normas Universais que, paulatinamente, é identificada e compreendida pelo espírito humano.

Sobrenatural - definição de fenômenos que ainda não se incorporam aos domínios do hábito.

Santo - atributo dirigido a determinadas pessoas que aparentemente atenderam, na Terra, a execução do próprio dever.

Tentação - posição pessoal de cativeiro interior a vícios instintivos que ainda não conseguimos superar por nós mesmos.

Dia de juízo - oportunidade situada entre dois períodos de existência da alma, que se referem à sementeira de ações e à renovação da própria conduta.

Salvação - libertação e preservação do espírito contra o perigo de maiores males, no próprio caminho, a fim de que se confie à construção da própria felicidade, nos domínios do bem, elevando-se a passos mais altos de evolução.

O Espiritismo tem por missão fundamental, entre os homens, a reforma interior de cada um, fornecendo explicações ao porquê dos destinos, razão pela qual muitos conceitos usuais são por ele restaurados ou corrigidos, para que se faça luz nas consciência e consolo nos corações. Assim como o Cristo não veio destruir a Lei, porém cumpri-la, a Doutrina Espírita não veio desdizer os ensinos do Senhor, mas desenvolvê-los, completá-los e explicá-los “em termos claros e para toda a gente, quando foram ditos sob forma alegóricas”.

A rigor, a verdade pode caminhar distante da palavra com que aspiramos a traduzi-la.

Renove, pois, as expressões do seu pensamento e a vida renovar-se-lhe-á inteiramente, nas fainas de cada hora.

pelo Espírito André Luiz - Do livro: O Espírito da Verdade, Médium: Francisco Cândido Xavier.

quarta-feira, 26 de junho de 2013

Distonias Espirituais: As Auto Obsessões

1. O ser humano na visão espírita

De acordo com a visão espiritista, o nosso universo material nada mais é do que o mundo dos efeitos, já que, em dimensões espaciais superiores, inacessíveis aos nossos sentidos físicos, encontra-se o campo livre da energia do espírito, o verdadeiro mundo das causas.

Allan Kardec, o respeitável sistematizador do Espiritismo, no discurso introdutório de “O Livro dos Espíritos”, acena com a realidade multidimensional do ser encarnado ao afirmar que o mesmo está constituído por três partes essenciais: o espírito, o perispírito e o corpo físico a se influenciarem mutuamente, muito embora, cada qual a vibrar na dimensão espacial que lhe é própria.

Portanto, o homem nada mais é do que um espírito encarnado (alma), precedente ao berço e sobrevivente ao túmulo, verdadeiro viajor cósmico a estagiar momentaneamente no Planeta Terra. Por ser um “continuum” espaço-temporal, o homem-espírito alberga em seu psiquismo de profundidade a memória extra cerebral, repositório perene de tudo aquilo que vivenciou em forma de experiências positivas e negativas no decorrer de toda a sua trajetória evolutiva.

2. As Leis que embasam a evolução

Ao lado deste raciocínio, pode-se aditar, ainda, outros fatores necessários à compreensão das distonias espirituais, como por exemplo as leis da Palingenesia ou Reencarnação e da Ação e Reação ou Causa e Efeito. A Reencarnação regula os nascimentos sucessivos de um mesmo espírito, verdadeira lei maior, a qual todos se encontram subordinados em seus anseios evolutivos. Já a lei da Causa e Efeito bem administra os valores morais incorporados ao nosso patrimônio espiritual, permitindo àquele que se encontra em dissonância com a harmonia universal, pelo mau uso do livre arbítrio, retornar ao seu equilíbrio inicial, mesmo que às custas de sofridas experiências tidas na conta de vivências expiatórias.

Este é o chamado paradigma espírita, e graças a ele, ampliamos a nossa compreensão das enfermidades ao examiná-las à luz da realidade transcendental dos seres.

3. As causas espirituais das enfermidades

Assim sendo pode-se dizer que a maioria das doenças experimentadas pelos homens é de gênese espiritual. Quando elas emergem da intimidade da própria alma são denominadas de patologias anímicas, caso contrário, são reconhecidas como obsessivas, desde que decorram de influenciações espirituais externas.

Allan Kardec, examinando as intrincadas questões da alma, propôs uma classificação dos distúrbios espirituais, considerando as seguintes possibilidades: obsessão simples, fascinação, subjugação e auto obsessão. A respeito desta última firmou o seguinte juízo em “Obras Póstumas”, item 58:

“As contrariedades, que mais comumente cada um concentra em si mesmo, sobretudo os desgostos amorosos, fazem cometer muitos atos excêntricos que se estaria errado em levar à conta da obsessão. Frequentemente, pode-se ser obsessor de si próprio.”

4. Conceito de auto obsessão

Na auto obsessão, é a própria mente em torvelinho que gera um verdadeiro estado de desequilíbrio patológico, de inadequação aos desafios cotidianos ou de comportamento imaturo a expressar o lamentável estado de penúria espiritual em que o estagiário terreno ainda se encontra.

5. Causas mais frequentes das auto obsessões


O homem, ante as solicitações costumeiras e os mais variados desafios existenciais, nem sempre se conduz com a dignidade e o equilíbrio desejáveis. Inebriado com os ouropéis da vida e, profundamente arraigado às viciações milenares que embrutecem o espírito, ora se deixa influenciar por impulsos primários, como a inveja, o egoísmo, a luxúria e o ciúme, ora se entrega a injustificáveis explosões coléricas, motivadas pelo cultivo prolongado da irritabilidade e da impaciência.

Na qualidade de autêntico enfermo da Alma, facilmente descontrola-se e comete atos de agressividade no trabalho, no trânsito e, infelizmente, na intimidade do próprio lar. Ofende aos seus entes queridos de maneira desnecessária, cria situações de constrangimento e tristeza e, às vezes, até de revolta entre os familiares, contribuindo, por fim, para a implantação da desarmonia doméstica por períodos bastante prolongados.

6. Causas complexas das auto obsessões

Mais adiante identificamos aquelas criaturas dotadas de uma personalidade menos estruturada e fragilizada em suas bases psicológicas. Revelam-se indecisas e sem vontade firmada. Habitualmente, diante da lida rotineira, se deixam enredar nas malhas de múltiplos desajustes por alimentarem insistentemente a terrível sensação de medo e insegurança, de uma forma obsessiva, chegando, mesmo em alguns casos, a desenvolverem complicada distonia mental, conhecida como Síndrome do Pânico, nem sempre bem equacionada pelos métodos terapêuticos tradicionalmente utilizados. São situações chocantes e bem caracterizadas, nas quais despontam os angustiados de todos os matizes, infelizes e sofredores por antecipação.

Tal contingente de auto obsidiados faz da preocupação exagerada a sua rotina de vida e, em meio ao desgastante comportamento neurótico, alimentam o temor de doenças imaginárias, o receio infundado com o bem-estar dos filhos, ou a ideia de que a qualquer momento, perderão os seus bens materiais. Formam o imenso exército de neuróticos crônicos, muito embora, por se acomodarem à situação vivenciada, pouco se esforcem para suplantar os maus pensamentos, as ideias hipocondríacas e as atitudes obsessivo- compulsivas, preferindo estagnarem na inércia moral a que habitualmente se entregam.

7. Ciúme – o câncer da Alma

Identificamos ainda significativa quantidade de criaturas excessivamente desconfiadas e portadoras de uma das mais graves formas de patologia anímica conhecida: - o ciúme - .

O ciumento é aquele indivíduo que, por estreiteza de visão, imagina insistentemente a possibilidade de estar sendo traído pelo cônjuge a quem tanto ama. E apesar do amor que verdadeiramente alimenta, falta-lhe a maturidade emocional para a convivência a dois. O ciumento não sabe expressar os seus sentimentos mais enobrecidos, graças à insegurança que o tortura interiormente, a ponto de agredir a quem diz amar sem nenhuma razão plausível, não medindo as consequências funestas de suas atitudes infelizes.

8. Educação evangélica como recurso terapêutico

Como vimos, múltiplas são as manifestações puramente anímicas de natureza auto obsessiva. Quase sempre, encontram-se relacionadas às deficiências educativas no contexto evolutivo do espírito. Constituem-se inegavelmente, tais atitudes imaturas, verdadeiras portas de entrada para as obsessões secundárias, induzidas pelos espíritos vingativos ou aproveitadores, com o fito de intensificar as más tendências individuais.

Daí o cuidado que se deve ter no comportamento habitual exercitado no decorrer da vida de relação. Impõe-se, por parte do ser inteligente, a necessidade de melhor gerenciar as emoções, identificar as propensões negativas e represar os impulsos inferiores, tentando substituí-los progressivamente pela vivência de sentimentos mais enobrecidos, tudo com a finalidade de aperfeiçoar a experiência terrena.

Por isso, as condutas aberrantes devem ser notificadas uma a uma, mediante análise conscienciosa da própria maneira de pensar e agir. Uma vez identificados os próprios defeitos, empenhar-se o indivíduo no esforço de reforma íntima, pois só a vivência evangélica, - considerada pelos psicólogos de vanguarda a maneira mais adequada de comportamento inteligente -, permitirá a substituição das atitudes menos felizes, típicas das auto obsessões, por padrões salutares e equilibrados de inter-relacionamento social.

Vitor Ronaldo Costa

quarta-feira, 19 de junho de 2013

ESCLARECER

Naquela noite, era Sessão de consulta com Exus e Pomba Giras. O terreiro estava lotado, pois os Guardiões como acreditam por aí, “fazem” e “acontecem”... Na verdade, eles são confundidos com os kiumbas, ou seja, espíritos enganadores, mistificadores e zombeteiros que se aproveitam das pessoas que não buscam uma moral elevada. São Entidades tão carentes de esclarecimentos, quanto as pessoas que procuram um terreiro de Umbanda em busca da resolução dos seus problemas, e que esperam sair dali com um “trabalho”, “despacho” ou “amarração” recomendado por algum Guia.

Alguns indivíduos, até estavam ali querendo compreender melhor a Umbanda, pois sabiam da existência de uma palestra antes da gira. Outros, porque ouviram dizer que quem comandava aquele terreiro era uma mulher e que, além disso, era jovem... Queriam mesmo é futricar!

Até que chegou a vez daquele homem ser atendido, justamente pela Pomba Gira que trabalhava com a Dirigente daquele terreiro de Umbanda. Ele tinha uma dúvida sobre a escolha profissional e queria que a Entidade fizesse a escolha para ele. Além disso, não era simplesmente uma dúvida. Trazia muita arrogância em seu interior, o que refletia no chakra do plexo solar. Autoritário, achava que o dinheiro compra tudo, inclusive a caridade!

Quando se aproximou da Entidade que estava incorporada, sentiu um enjôo... A força da gargalhada da moça, fez com que a médium liberasse ectoplasma, o qual foi projetado sabiamente pela Pomba Gira, para a região do abdômen daquele homem, removendo o líquido escuro e viscoso que estava sendo produzido por ele mesmo. Passou a mão pelo local, sem perceber o trabalho que estava sendo realizado pelos Espíritos no astral. Sentiu apenas uma ardência e logo, um alívio, pois aquilo já estava afetando o funcionamento do seu fígado. A Entidade mostrou a médium que a substância era conseqüência do seu modo de pensar e agir, e que, provavelmente, iria se transformar em uma doença, caso ele não mudasse a sua conduta moral. Interrompendo a limpeza que estava sendo realizada em sua aura, ele foi logo dizendo:

- “Você que entende dessas coisas, faz aí um “trabalho” e me diz qual é o ‘caminho’ que eu tenho que escolher. Diz quanto é que é que eu pago; ou o que é preciso trazer que eu trago”...

- “Iah, há, há, há... Quanto é que é? É o tanto de tempo que você precisa gastar para pensar. O que é preciso trazer? A sua reflexão. Eu até posso ajudar o moço a fazer isso. Mas não da maneira que o moço imagina, pois o que o moço está me pedindo é magia negra e magia negra eu não faço, apenas desfaço de acordo com o merecimento de cada filho de Deus. Digo que qualquer uma das escolhas que o moço fizer terá consequências que só você mesmo moço poderá analisar. O que cabe a mim é esclarecer”!

-“Mas eu não vim até aqui, num terreiro de Umbanda, para ouvir isso! Além de você ser uma Pomba Gira, a médium é jovem e eu estou aqui há muito tempo esperando para ser atendido porque a sessão é muito longa”...

- “Longa é a língua de quem perde tempo falando o que não sabe, iah, há, há, há... Como dizia o Preto Velho Pai Jeremias, quanto mais os filhos falam, mais eles se enrolam na própria língua! “Iah, há, há, há... Ganhe tempo fazendo a caridade”!

O homem agradeceu, saindo envergonhado, mas entendeu o recado. Não escutou o que queria, mas escutou o que merecia. Na semana seguinte, lá estava ele, satisfeito pela sua própria escolha, tornando-se um colaborador da obra social daquele terreiro de Umbanda! 
 
Laroiê Exu!

Maria Padilha das Almas

segunda-feira, 17 de junho de 2013

Mediunidade mal orientada

A falta de doutrina e de comprometimento que existe, em muitas casas espiritualistas, coloca em risco a saúde física e psicológica dos médiuns.


Para se ter ideia, há casas que iniciam qualquer pessoa que tenha vontade em trabalhos de desenvolvimento mediúnico de incorporação.

E as pessoas que começam a frequentar os trabalhos, por não terem a menor noção do que é certo ou errado, se submetem.

Na verdade, existem casos em que a mediunidade de incorporação nunca vai se manifestar porque o médium deverá desenvolver outras formas de mediunidade.

Consequentemente, tentando fazer incorporar quem não deve, surgem atrapalhações de toda ordem.

A mediunidade deve ser desenvolvida de forma progressiva e individualizada, e o bom desenvolvimento do corpo mediúnico depende muito da firmeza e da competência do chefe encarnado do grupo e do espírito dirigente dos trabalhos.

Na Terra, a esfera material das diversas formas de religião é conduzida pelos encarnados, o que inclui a organização das casas, a orientação das pessoas e até a redação dos textos que explicam os fenômenos espirituais.

É justamente por se tratar de “coisa de humanos” que a religião muitas vezes é deturpada.

Se os espíritos de luz pudessem atuar sozinhos, várias situações inoportunas deixariam de acontecer.

Mas os trabalhos religiosos na Terra precisam da união do plano físico e do espiritual.

Sem o fluido animal dos médiuns, não é possível para os espíritos atuar em nosso nível vibratório.. Daí a grande importância dos médiuns e também da assistência nos trabalhos religiosos.

Quando um dirigente religioso, independente da linha em que trabalhe, se deixa envolver pelo ego, passa a acreditar que é dono-da-verdade e, o que é ainda pior, que é dono das pessoas sua mente se fecha para as orientações do plano espiritual que deveriam orientar sua conduta, porque sua vontade passa a ser mais importante.

Quando o chefe dos trabalhos “se perde”, os espíritos não compactuam com os erros cometidos, mas respeitam o livre-arbítrio de todos. Ficam à parte, aguardando que a situação se modifique para novamente poderem trabalhar com seus médiuns.

As pessoas não ficam desamparadas, mas os espíritos não compactuam com o ego. Há trabalhos que, irresponsavelmente, surgem em função da vontade que têm algumas pessoas de dirigirem grupos. Se uma pessoa resolve iniciar uma sessão, a responsabilidade é dela. Os seus protetores não vão puni-la por isso, mas toda a carga que surge em função dos trabalhos vai ser também responsabilidade dela.

Surgem, em função disso, muitas complicações, para quem dirige e para quem é dirigido. Portanto, não bastando atrapalhar a si mesmo, o chefe deverá arcar com as consequencias do que provoca para o corpo mediúnico de sua casa.

O mesmo vale para quem decide que vai prestar “atendimentos espirituais” ou outros tipos de “trabalho” relacionados, sem as devidas proteções que só uma casa, com os devidos calços, pode ter.

Toda aplicação do dom mediúnico deve estar sobre a proteção de uma corrente espiritual e de uma chefia realmente capacitada.

Infelizmente, em muitas casas sem boa direção espiritual, exerce-se o hábito de desenvolver a mediunidade em pessoas obsediadas, causando-lhes desequilíbrios ainda piores do que a própria obsessão.

São pessoas que, estando claramente doentes, são levadas a abrirem seus canais de mediunidade, irresponsavelmente, a fim de supostamente se curarem.

A pessoa perturbada chega nos trabalhos e é aconselhada a desenvolver… porque tem mediunidade. Deveria procurar entender o que acontece consigo, através da doutrina, e não sair procurando um lugar para “desenvolver” Situações como essa, ocorrem devido ao pouco conhecimento doutrinário dos dirigentes das casas e até dos médiuns que dão consultas, acreditando que estão falando pelos espíritos.

A mediunidade perturbada pela obsessão não merece incentivo.

No aspecto patológico, existem aqueles que, por desequilíbrios neurológicos, se comportam como vítimas de processos obsessivos.

Nestes casos, também é inoportuno o desenvolvimento das faculdades mediúnicas.

Mentores espirituais de casas honestas cuidam de tratar desses processos obsessivos até que os fenômenos cessem, e o enfermo, curado, possa retomar suas atividades normais e, quem sabe, desenvolver sua mediunidade.

Tudo está muito bem, se o médium está preparado, saudável e consciente de que desenvolver a mediunidade é o que realmente deseja e de que realmente precisa.

Por outro lado, se a pessoa está desequilibrada, doente, desenvolvendo algo que nem sabe exatamente o que é, possuir um canal aberto será algo muito perigoso.

Em ambos os casos, haverá a possibilidade da comunicação com o mundo dos espíritos, e um médium despreparado não vai saber identificar, nem filtrar,mensagens boas de mensagens oriundas de espíritos obsessores.

Por isso, desenvolver a mediunidade em quem não está preparado permite que as obsessões se manifestam pelo canal mediúnico que foi aberto, ocasionando demências em diferentes graus.

A mediunidade não é causadora da enfermidade ou da loucura. É o seu desenvolvimento indevido que permite que um espírito obsessor dela se utilize para instalar, na mente de sua vítima, a enfermidade mental.

Pensar na mediunidade como causa desses distúrbios seria o mesmo que culpar a porta de uma casa pela entrada do ladrão. A porta foi somente o meio ou a via de acesso utilizada para a realização do furto, por negligência e desatenção do dono da casa.

Precisamos também conhecer a fadiga mediúnica. O exercício da mediunidade provoca perda de fluidos vitais do corpo do médium e tende a esgotar os seus campos energéticos. Por isso os dirigentes capacitados dedicam especial atenção e cuidado para com os médiuns iniciantes.

É comum encontrar médiuns desequilibrados, atuando em grupos espiritualistas, onde incluem-se até mesmo os brandos trabalhos de mesa kardecistas.

Em alguns casos, o descontrole psíquico pode levar o indivíduo à loucura,principalmente no caso das pessoas predispostas ao desequilíbrio.

Convém que o dirigente espiritual esteja atento à conduta dos médiuns, para perceber indícios de anormalidade.

Mediunidade é uma atividade psíquica séria, e a ela só devem se dedicar pessoas que se disponham a ter conduta religiosa, ou seja, uma moral sadia e hábitos disciplinados.

A prática da mediunidade em obsediados é capaz de produzir a loucura.

A irresponsabilidade e incompetência de dirigentes nos critérios de admissão e instrução de seus trabalhadores pode culminar em demência. Basta imaginar a situação em que uma pessoa obsediada é submetida a entidades hipócritas.

É fácil imaginar que se estabelecerá um processo de fascinação que pode culminar em demência.

Lembremos que a humildade, a dedicação, a paciência e a renúncia são os caminhos do crescimento mediúnico.

O orgulho e os maus espíritos são seus obstáculos.

A mediunidade, assim como todos os dons, possui dois lados.

Se, por um lado, é fonte de abençoadas alegrias; por outro, pode ser também de profundas decepções.

Mas isso nunca deve ser motivo para que alguém desista de desenvolver a sua mediunidade, de cumprir a sua missão, pois ela é simples e gratificante na vida das pessoas que a abraçam como missão de serviço nas legiões do Grande Pai Oxalá.

Por Jorge Menezes - http://espiritualizandocomaumbanda.blogspot.com.br/2013/06/os-perigos-e-consequencias-da.html
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